Pelo menos cinco morrem em novos protestos no Iêmen

Presidente Ali Abdullah Saleh segue enfrentando manifestações em favor da sua renúncia

BBC

11 de maio de 2011 | 17h09

SANAA - Pelo menos cinco pessoas morreram nesta quarta-feira, 11, depois que forças do governo do Iêmen abriram fogo contra manifestantes contrários ao governo, disseram testemunhas e funcionários dos serviços médicos.

 

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De acordo com os relatos, na capital do país, Sanaa, as forças de segurança abriram fogo contra os manifestantes quando eles seguiam em direção a um prédio do governo. Uma pessoa teria morrido e outras pelo menos 40 teriam ficado feridas. "Os atiradores estavam disparando contra as pessoas. As pessoas correram e umas caíram sobre as outras. Houve tumulto", disse um dos manifestantes, Talal Al-Hamadi, à agência de notícias Associated Press.

O homem que morreu teria sido baleado no peito, "perto do coração", segundo declaração de um médico à agência de notícias AFP. Segundo ele, os feridos tinham levado tiros principalmente no pescoço ou cabeça.

 

 

Além de Sanaa, outras cidades do Iêmen, como Ibb, Damar, Hadramaut e Hudaida, também registraram protestos, que há várias semanas vêm pedindo a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh.

 

 

Testemunhas e funcionários de serviços médicos informaram que pelo menos dois ativistas foram mortos a tiros na cidade de Taiz, no sul. Segundo os moradores, os manifestantes na cidade atearam fogo a pneus e isolaram prédios do governo, incluindo o do Ministério do Petróleo. "As lojas estão fechadas e as ruas estão completamente vazias, apenas manifestantes estão em volta das áreas onde estão enfrentando as forças de segurança", disse o morador de Taiz Wajdi Abdullah. Outra pessoa teria morrido na cidade de Hudaida e outra, em Damar.

Dezenas de pessoas foram mortas nos confrontos com as forças de segurança do governo nas últimas semanas.

Segundo as últimas informações o Iêmen também pode estar sofrendo uma crescente crise de combustíveis. Durante semanas, integrantes de tribos locais bloquearam as saídas da província de Maarib, a principal fonte de gás e petróleo do país, para mostrar apoio aos protestos contra o governo.

Apesar das manifestações, o presidente Saleh, que está no poder desde 1978, se recusa a renunciar ao cargo.

Na segunda-feira, o Conselho de Cooperação do Golfo, que congrega os países árabes da região do Golfo Pérsico, pediu que todos os partidos do Iêmen assinassem um acordo sob o qual Saleh entregaria o poder ao seu vice, em uma tentativa de encerrar a crise. O partido do governo tinha concordado inicialmente com a proposta de transição, mas Saleh não assinou o acordo no início de maio.

 

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