Daniel Irungu/EFE
Daniel Irungu/EFE

Pelo menos cinco pessoas morrem em protesto da oposição no Quênia

Polícia atirou e lançou gás lacrimogêneo contra comboio do líder opositor Raila Odinga, que o recebia depois de viagem ao exterior

O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2017 | 04h31

NAIRÓBI - Pelo menos cinco pessoas morreram nesta sexta-feira, 17, durante um confronto entre a polícia do Quênia e opositores que queriam acompanhar o líder Raila Odinga, que chegava de uma viagem ao exterior. O conflito ocorre enquanto as tensões sobre a disputa das eleições presidenciais continuam.

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A polícia atirou e lançou gás lacrimogêneo para evitar que o comboio do líder opositor fizesse o caminho do aeroporto para o principal parque de Nairóbi. Os manifestantes atiraram pedras contra os policiais, e o legislador Otiende Amollo disse que seu carro foi baleado pela polícia.

A manifestação já tinha sido proibida pela polícia, mas o movimento foi incentivado pelos legisladores da oposição, que pediram "mais de um milhão de pessoas fortes". A polícia disse que as pessoas foram mortas por criminosos, que as viram roubando durante o protesto. Testemunhas, porém, afirmam que os agentes dispararam contra a multidão. Fotógrafos registraram corpos baleados.

Odinga tinha viajado para os Estados Unidos e Grã-Bretanha, onde falou sobre a turbulência política do Quênia após a eleição presidencial que foi anulada pelo tribunal no mês passado. Na ocasião, Uhuru Kenyatta venceu a disputa, e o líder opositor reivindicou fraude eleitoral. A vitória de Kenyatta está sendo desafiada no Supremo Tribunal por ativistas em meio a reclamações de irregularidades. O tribunal irá tomar uma decisão na segunda-feira, 20.

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Os ativistas dos direitos condenaram as ações da polícia, acusando os oficiais de tomar partido na crise política e violar a constituição, impedindo os opositores de se reunirem. A Anistia Internacional condenou o uso de armas por policiais quenianos contra manifestants da oposição. "Jamais devem ser utilizadas para dispersar as massas. O uso indiscriminado é totalmente inaceitável", disse o investigador para a África Oriental Abullahi Halakhe. A crise eleitoral no Quênia deixou, até agora, 66 mortos de acordo com dados da AI. /AP e EFE

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