EFE/EPA/JAKUB KACZMARCZYK
EFE/EPA/JAKUB KACZMARCZYK

Pelo segundo ano, Páscoa é celebrada no mundo com distanciamento e máscara

Enquanto Europa aperta o cerco para as celebrações da morte de Cristo, América Latina vê os números de casos de covid-19 dispararem

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2021 | 14h26

Durante a temporada da Páscoa no ano passado, a linguagem de "distanciamento social" e "achatar a curva" ainda era nova para muitas comunidades cristãs e clérigos enquanto tentavam se adaptar à realidade do coronavírus.

Os padres encheram bancos vazios com fotos de seus fiéis. Outros realizavam cultos de Páscoa para os adoradores. As máscaras e a sessão de zoom para a família encontraram seu lugar em tradições de longa data, como refeições de Páscoa e caça aos ovos.

Neste ano, cristãos em todo o mundo voltam a celebrar um fim de semana de Páscoa sob restrições contra o coronavírus, que continua a se espalhar, especialmente na América Latina, que já contabiliza mais de 25 milhões de infecções.

Dado o aumento das infecções, e apesar do avanço das campanhas de vacinação, muitos governos tiveram de impor novamente medidas para conter o avanço da doença.

A Itália, um dos países europeus mais atingidos pelo vírus, iniciou neste sábado, 3, um confinamento restrito, com todo o território considerado "zona vermelha" de alto risco, o que privou as famílias de se encontrarem neste tradicional feriado cristão. 

No Vaticano, o papa Francisco presidiu na sexta-feira à noite sua segunda Via Crúcis sem público na Praça de São Pedro devido à pandemia. Pelo segundo ano consecutivo, todos os eventos celebrando a morte de Jesus ocorrem dentro das paredes do Vaticano e sem a presença de multidões de fiéis.

Na França, novas restrições em todo o território entraram em vigor neste sábado  para tentar conter uma explosão de casos que está levando os hospitais da capital, Paris, à beira do colapso. O governo francês determinou que as pessoas não podem viajar mais de seis milhas (cerca de 10 quilômetros) de suas casas, exceto em casos isentos de acordo com as regras que entraram em vigor neste sábado. Mesmo assim, o presidente Emmanuel Macron disse que as restrições seriam aplicadas com menos rigor durante o fim de semana da Páscoa.

Na vizinha Alemanha, onde o governo teve de voltar atrás em severas restrições para o fim de semana da Páscoa, a chanceler Angela Merkel pediu à população que limite suas reuniões o máximo possível. A líder pediu "uma celebração da Páscoa tranquila, em círculos pequenos, com contatos reduzidos".

O país, porém, enfrente mais um fim de semana de protestos contra as medidas sanitárias. Em Stuttgart, milhares de  manifestantes marcharam sem máscara, em sua maioria, exigindo o fim das restrições, como vem acontecendo nos últimos fins de semana na Alemanha. 

A Bélgica proibiu viagens não essenciais para fora do país, embora tenha permitido que o movimento continuasse internamente. A Espanha permitiu a entrada de viajantes europeus com testes negativos para o coronavírus, embora o movimento entre as regiões seja restrito, relatou o The Guardian.

No Canadá, onde várias províncias impuseram novas regras nesta semana para moderar um ressurgimento alimentado por variantes dos casos de coronavírus, funcionários de todos os níveis de governo e setores políticos pediram para que fossem evitados os encontros de Páscoa presenciais com pessoas de fora de sua casa, especialmente aquelas realizadas em ambientes fechados. 

Em Jerusalém, Israel, os locais religiosos que foram fechados no ano passado agora estão abertos a um número limitado de fiéis, conforme a vida comunitária no país, saturado de vacinas, retorna. Mas não haverá nenhum fluxo normal de peregrinos porque as viagens para o país continuam restritas. A República Checa facilitou o toque de recolher noturno para permitir os eventos religiosos da Páscoa.

Na Austrália, cerca de 60 mil pessoas por dia podem assistir ao Royal Easter Show no Parque Olímpico de Sidnei para a mostra anual das tradições australianas. As autoridades continuam atentas à pandemia: um sistema de rastreamento de contatos está pronto para o caso de serem detectados casos de coronavírus.

25 milhões de casos

A América Latina sofre duramente com a pandemia, ultrapassando, na sexta-feira, os 25 milhões de casos e contabilizando mais de 788 mil mortes por covid-19, de acordo com uma contagem da agência France Presse com base em dados oficiais.

No Chile, que já vacinou 24% de sua população com duas doses e progride mais rápido que qualquer outro país na região, os piores números de infecções desde o início da pandemia foram registrados nos últimos dias.

Neste contexto, as autoridades anunciaram o fechamento das fronteiras a partir de segunda-feira e por todo o mês de abril. No total, o país ultrapassou um milhão de infecções e 23 mil mortes.

Na Argentina, o presidente Alberto Fernández anunciou na sexta-feira que testou positivo para a covid-19 em um teste de antígenos, mais de um mês após receber a segunda dose da vacina. O presidente, de 62 anos, esclareceu que está "fisicamente bem" e que aguarda o resultado de um teste de PCR para confirmar que está com a doença. Com 44 milhões de habitantes, o país enfrenta uma segunda onda de coronavírus com uma escalada sustentada de infecções, totalizando mais de 2,3 milhões de casos e 56.023 mortes.

Em muitos países da região há casos da variante brasileira do coronavírus, a chamada P1, que se acredita ser mais contagiosa.

O Brasil, segundo país do mundo com mais mortes pelo vírus (321 mil), viveu o pior mês da pandemia em março com mais de 66 mil óbitos. No mundo, o coronavírus matou mais de 2,8 milhões de pessoas e infectou mais de 130 milhões.

 Não baixar a guarda

A notícia positiva veio dos Estados Unidos, onde mais de 100 milhões de pessoas receberam pelo menos uma dose da vacina anticovid, segundo dados da autoridade sanitária. Apesar desse número encorajador, o presidente Joe Biden voltou a pediu "para não baixar a guarda" diante da pandemia.

Em outros países, as campanhas de vacinação não avançam como deveriam. Na Europa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que apenas 10% da população recebeu uma dose e 4% ambas, longe de seus objetivos. 

Na União Europeia, existem quatro injeções anticovid licenciadas: Pfizer/BioNTech, Moderna, Johnson & Johnson e AstraZeneca. Esta última, desenvolvida pelo laboratório anglo-sueco e pela Universidade de Oxford, está no centro de uma polêmica sobre possíveis coágulos sanguíneos detectados em pessoas imunizadas com o fármaco.

Apesar de o regulador europeu garantir que é "segura e eficaz", vários países, como Noruega e Dinamarca, optaram por suspender temporariamente o seu uso. Outros, como a Alemanha, Holanda e França, impuseram limites de idade à sua aplicação.

No Reino Unido, onde mais de 18 milhões de doses deste imunizante já foram administradas, sete pessoas que a receberam morreram em decorrência de coágulos sanguíneos, de um total de 30 casos identificados até agora, informou neste sábado o regulador britânico de medicamentos.

Grande parte da Europa, assolada por variantes, também está de volta ao bloqueio, embora menos rigorosos do que durante a primeira rodada de paralisações globais em março e abril passado./ COM AFP e WP


 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.