YURI CORTEZ/AFP PHOTO
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Peña Nieto sai com aprovação de 20%

O peso vem perdendo valor, a inflação está em alta, os índices de violência são alarmantes e os os cartéis estão mais atuantes do que nunca

Cristiano Dias, ENVIADO ESPECIAL / CIDADE DO MÉXICO, O Estado de S.Paulo

01 Julho 2018 | 21h45

O desafio do próximo presidente do México é gigantesco. O legado deixado pelo presidente Enrique Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI) reflete uma aprovação que oscila em 20% – pior do que a de Nicolás Maduro, na Venezuela.

A economia mexicana dá sinais de esgotamento. O peso vem perdendo valor, a inflação está em alta e a desigualdade está cada dia maior. Os índices de violência são alarmantes, os cartéis estão mais atuantes do que nunca e a percepção da população é a de que o país tem o governo mais corrupto do mundo.

A imagem de Peña Nieto também foi afetada por escândalos. A primeira-dama, a atriz Angélica Rivera, comprou uma mansão de US$ 7 milhões de um empreiteiro do governo. Emilio Lozoya, que ajudou a conduzir a campanha do presidente, recebeu US$ 10,5 milhões da Odebrecht, que teriam sido usados na eleição de 2012. 

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Externamente, o próximo presidente terá de lidar com um presidente americano hostil, que pretende construir um muro na fronteira, deportar o máximo de imigrantes que conseguir e torpedear o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta). O fato de o México ser economicamente dependente dos EUA diminui seu poder de barganha. 

As únicas cartas que o governo mexicano tem são a cooperação contra o narcotráfico e o esforço para deter a imigração ilegal. Mas nem isso Peña Nieto utilizou. Em vários momentos, ele foi acusado de não defender os mexicanos, chamados de “estupradores” e “narcotraficantes” pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

“O grande risco que corre o próximo presidente é a frustração da população. Os candidatos aumentaram demais as expectativas. Prometeram resolver todos os problemas do México. Como a realidade é mais difícil, quem vencer pode ter problemas em breve”, disse Mariana Campos, coordenadora do programa de gastos públicos do centro de estudos México Evalúa. 

 

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