Heiko Junge/AP
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'Pensei em executar quantos fossem possíveis', diz Breivik

Ultradireitista falou sobre ataque realizado na ilha de Utoeya, onde assassinou 69 pessoas

20 de abril de 2012 | 14h26

COPENHAGUE - Na segunda parte do quinto dia de julgamento dos atentados de 22 julho na Noruega, o ultradireitista Anders Behring Breivik falou sobre o ataque realizado na ilha de Utoeya, onde assassinou 69 pessoas, quase todas menores de 20 anos, que estavam em um acampamento das Juventudes Trabalhistas.

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"Era um caos total e, por isso, pensei em entrar nesse edifício e executar quantos fossem possíveis", afirmou Breivik ao se referir à cafeteria da ilha depois de ter matado várias pessoas que tinham viajado com ele.

Breivik disse não lembrar muito do ocorrido porque se encontrava em estado de choque e também atento à possíveis ataques, já que sabia que havia mais de 600 pessoas em Utoeya. No entanto, apesar do nervosismo, o acusado conseguiu fazer um relato cronológico do ataque.

O extremista norueguês, então disfarçado de policial, contou como conseguiu chegar à ilha com a missão de informar sobre o atentado ocorrido em Oslo, que, na realidade, foi provocado por ele mesmo com uma caminhonete-bomba, além de seu medo em ser descoberto.

"Estava seguro que encontraria uma forte resistência e que teria que lutar e, provavelmente, morrer nessa tentativa", explicou.

A bordo da embarcação havia um policial à paisana e desarmado, que, em seguida, se mostrou desconfiado, embora acabou sendo convencido pelo ultradireitista. Breivik alegou que explicaria tudo no edifício principal, enquanto o policial foi sua primeira vítima.

"Estava quase paralisado, tinha medo, pensei que tinha muito poucas vontade de fazer isto (...) Todo meu corpo lutava para eu não agarrar a arma. Centenas de vozes em minha cabeça me diziam: 'não faça, não faças'", declarou Breivik, segundo a imprensa norueguesa.

Breivik, que caminhava com o policial e outras pessoas, tirou a pistola e começou a disparar. "Não corri, não caminhei rápido e me mantive tranquilo. Tinha muito armamento comigo, portanto também não podia correr", explicou.

Apesar assegurar que não lembrava muito de sua ação, de "dez minutos", suas declarações - impedidas de serem retransmitidas por ordens judiciais - apresentou mais alguns detalhes "macabros", segundo a rede de televisão pública "NRK", que preferiu censurar essas partes do discurso em respeito às vítimas.

Segundo a imprensa norueguesa, ao entrar na sala principal da cafeteria, Breivik observou umas 15 pessoas e começou a disparar à vontade. "Tudo o que eu via era muito diferente das séries de televisão", afirmou.

Enquanto alguns tentavam se defender, outros jovens ficaram paralisados pelo medo, mas o ultradireitista seguiu disparando e só parava para recarregar a arma. Breivik afirmou que mirava na cabeça das vítimas.

Sua tática inicial era conseguir provocar um efeito psicológico ao chegar a Utoeya, com disparos e gritos de "vão morrer". A ideia era fazer com que as vítimas pulassem na água e se afogasse por conta do pânico, algo que não saiu como esperava e, por isso, seguiu percorrendo o local e disparando em todos que encontrava.

Durante o relato, que continuava na sala 250 do Tribunal de Oslo, Breivik se mostrou aparentemente imperturbável, enquanto vários dos familiares das vítimas e sobreviventes presentes no recinto suspiravam, choravam e se levantavam, segundo o jornal "VG".

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