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Pensilvânia acende luz amarela para Trump

Estado é decisivo para a reeleição do republicano em 2020 - ao lado de Michigan e Wisconsin; em eleição estadual na semana passada, republicanos perderam em zonas rurais e subúrbios que dominavam há décadas

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2019 | 05h00

Mais que a derrota republicana nas eleições para governador de Virgínia e do Kentucky, foi o desempenho na Pensilvânia que despertou preocupação entre os estrategistas de Donald Trump. O resultado no Kentucky pode ser atribuído a circunstâncias locais. Na Virgínia, o progresso democrata é ainda insuficiente para representar uma ameaça. A Pensilvânia, em contrapartida, é um Estado crítico para a reeleição, ao lado de Michigan e Wisconsin.

Em 2016, ele venceu lá por 44 mil votos. Na eleição estadual da semana passada, os republicanos perderam em zonas rurais e subúrbios que dominavam havia décadas. Ao mesmo tempo, venceram em regiões urbanas de demografia favorável aos democratas. Em 2020, o fator decisivo será o comparecimento. Vencerá o lado que levar às urnas os grupos demográficos mais simpáticos: negros, latinos e minorias para os democratas; brancos sem nível superior para os republicanos. Com duas ressalvas.

Entre as minorias do Meio-Oeste, a proporção simpática aos democratas é bem menor no grupo dos que não costumam votar. Atraí-los às urnas não garante vitória. Os cientistas políticos Ruy Teixeira e John Halpin estimam alta de 1,3% nos eleitores hispânicos e queda de 2,3% nos brancos sem nível superior. Mantido o comparecimento de 2016, o candidato democrata recuperaria os três Estados críticos e venceria com 279 dos 538 votos no Colégio Eleitoral. Se negros forem às urnas como em 2012, ganharia ainda na Carolina do Norte. Numa avalanche de votos hispânicos e asiáticos, levaria Flórida e Arizona. O democratas somariam de 319 a 334 votos.

- Virgínia deve ratificar emenda da igualdade

Com o Senado estadual sob controle democrata, a Virgínia deverá ser o 38.º Estado a ratificar uma nova emenda à Constituição americana, a 28.ª, concebida em 1923 para equiparar homens e mulheres no trabalho e aprovada em 1972. Em dez anos de prazo, 35 Estados a ratificaram. Como 38 eram necessários para que entrasse em vigor, foi dada como caduca. Ressuscitou depois que outra emenda, aprovada para regular salários dos congressistas em 1789, passou a vigorar só em 1992. O argumento: o prazo para ratificação da Emenda da Igualdade de Direitos foi estabelecido pelo Congresso, não pela Constituição. Pode então ser revogado também pelo Congresso. Nevada a ratificou em 2017. Illinois, em 2018. Com o endosso provável da Virgínia em 2020, os parlamentares decidirão se, a exemplo da 27.ª, mantêm a validade depois de tanto tempo.

- A reeleição sucessiva de prefeitos na França

Não só o Brasil padece nas mãos de oligarquias municipais longevas. Na França, um em cada três prefeitos conclui pelo menos três mandatos, revela um levantamento do jornal Le Figaro. São 10 mil eleitos, entre eles o socialista Laurent Cathala, desde 1977 prefeito de Créteil, cidade de 90 mil habitantes perto de Paris, prestes a disputar a sétima reeleição em março.

- Brasil entre as economias mais fechadas

Para avaliar a onda protecionista no planeta, a Property Rights Alliance lança em São Paulo, em parceria com o Centro Mackenzie de Liberdade Econômica, o Trade Barrier Index (TBI), índice que mede barreiras ao comércio internacional. Calculado com base em tarifas, medidas não tarifárias, restrições a serviços e capacidade de facilitar trocas, compara 86 países e comprova que o Brasil continua uma das economias mais fechadas do mundo.

- Hora de pôr a Mona Lisa para fora do Louvre

O crítico de arte Jason Farago defende que a Kim Kardashian do Renascimento, a sorridente Lisa Gherardini, mundialmente conhecida como La Gioconda, seja posta para fora do Louvre. Dos 10 milhões que entraram no museu em 2018, 80% foram lá só para ver, a mais de 3,5 metros, o quadro de 77 por 53 centímetros, eleito recentemente a “atração mais decepcionante do mundo”. “É hora de o Louvre reconhecer a derrota”, diz Farago. Ele sugere construir lá perto, com patrocínio, um local especial para receber os 30 mil turistas que visitam diariamente a Mona Lisa: o Pavilhão Sheikh Zayed-Louis Vuitton-Samsung Galaxy-Ladurée Macarons Mona Lisa. E que o Louvre volte a ser somente o melhor museu do mundo.

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