Pentágono admite ter informação "indevida" em base de dados

O Pentágono admitiu ter cerca de 260 relatórios que foram "indevidamente" coletados ou guardados em uma base de dados de suspeitos ligados ao terrorismo, segundo um porta-voz do Departamento da Defesa dos Estados Unidos. O anúncio foi feito após uma revisão interna dessa base de dados, solicitada por alguns membros do Congresso. Os parlamentares fizeram o pedido após boatos de que nela havia informações sobre grupos e pessoas pacifistas dos EUA. Em uma nota divulgada nesta quarta-feira, o subsecretário da Defesa americana, Gordon England, disse que a base de dados era "produtiva" e disse que "detectou interesses do terrorismo internacional em certas bases militares, além de apoiar as investigações antiterroristas". England também lembrou que este sistema deveria informar apenas "sobre a atividade terrorista internacional" e, para garantir que seja assim, ordenou uma revisão anual dos dados coletados. O porta-voz do Pentágono Bryan Whitman disse que há 13 mil entradas na base de dados e que, entre elas, menos de 2% foram "indevidamente incluídas ou não foram eliminadas ao se comprovar que não eram ameaças". No entanto, Whitman não deu detalhes sobre os documentos inadequados que estão guardados. A rede de televisão NBC informou em dezembro do ano passado que a base de dados incluía quase 50 reuniões ou protestos contra a guerra, incluindo algumas que tinham acontecido longe de qualquer instalação militar. Este programa recebe o nome de Aviso de Ameaças e Observação Local (Talon, na sigla em inglês) e desde sua criação, após os atentados de 11 de setembro em 2001, tem gerado polêmica. Os funcionários civis e militares do Pentágono devem informar sobre atividades que julgarem suspeitas, que passam a fazer parte de uma hermética base de dados administrada por uma agência chamada Cifa, ou Atividade de Campo de contra-inteligência. Não se sabe o tamanho ou o orçamento da Cifa, que já teve a função equiparada por alguns críticos às atividades de espionagem contra pacifistas do governo dos EUA na Guerra do Vietnã.

Agencia Estado,

05 Abril 2006 | 20h27

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