Pentágono decide investigar abusos em Guantánamo

O Pentágono ordenou nesta sexta-feira a abertura de um inquérito sobre denúncias de abusos no centro de detenção da Baía de Guantánamo.A medida foi adotada pelas autoridades americanas como uma reação à informação de que guardas da base militar teriam revelado que agrediram e maltrataram prisioneiros do centro de detenção.A sargento Heather Cerveny, que visitou a Baía de Guantánamo há três semanas como assessora de um advogado militar, afirmou ter ficado com a impressão de que "bater nos detidos era uma prática comum" no local.Em depoimento oficial, Cerveny declarou que chegou a ouvir um guarda de Guantánamo descrever como golpeou a cabeça de um prisioneiro contra a porta de uma cela.De acordo com o Pentágono, o batalhão que controla o centro de detenção de Guantánamo, o Comando do Sul das forças americanas, recebeu ordens para investigar as denúncias de maus-tratos. Cruz VermelhaAs alegações da sargento Heather Cerveny foram reveladas por advogados militares que representam prisioneiros de Guantánamo.Os advogados apresentaram um depoimento juramentado de Cerveny em que ela descreve as conversas informais que teve com cinco guardas do centro de detenção."Um guarda disse especificamente: ´eu peguei o preso pela cabeça e joguei a cabeça dele contra a porta da cela´", conta a sargento no depoimento."Todos no grupo riam das histórias uns dos outros de como eles agrediam os prisioneiros", acrescentou Cerveny.A sargento declarou ainda que alguns guardas afirmaram que costumavam negar privilégios de prisioneiros apenas para perturbá-los.De acordo com James Westhead, repórter da BBC em Washington, as alegações são ainda mais importantes porque partiram de uma militar que pertence às próprias forças americanas.Nesta sexta-feira, a Cruz Vermelha revelou ter visitado alguns dos principais suspeitos detidos em Guantánamo.O centro de detenção da base americana abriga cerca de 450 prisioneiros, incluindo Khalid Sheikh Mohammed, apontado como mentor dos atentados de 11 de setembro de 2001, e outros suspeitos de pertencer à organização Al-Qaeda.

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