Pentágono descarta sugestão para EUA "alvejarem" Arábia Saudita

O Pentágono descartou hoje a recomendação feita por um conselho consultivo para que os Estados Unidos "alvejem" campos petrolíferos e ativos financeiros da Arábia Saudita, caso a nação árabe não se esforce mais no combate ao terrorismo. A sugestão foi feita durante uma reunião do Conselho de Política de Defesa, um grupo de intelectuais e antigos oficiais que presta assessoria ao Pentágono. O relatório patrocinado pelo governo foi produzido por Laurent Murawiec, um analista da Rand Corp. e assessor do Ministério da Defesa da França. O secretário de Defesa dos EUA, Ronald H. Rumsfeld, disse hoje que a revelação de detalhes da reunião secreta seria prejudicial, pois criaria a impressão de que se tratava da visão do governo em relação à Arábia Saudita. "A Arábia Saudita é como qualquer outro país. Tem um amplo espectro de atividades e coisas com as quais concordamos. Com algumas outras podemos não concordar", afirmou Rumsfeld durante reunião com funcionários do Pentágono. "De qualquer forma, trata-se de um país onde temos muitas tropas estacionadas e com o qual temos tido uma longa relação. É certo que algumas pessoas que estiveram envolvidas (nos ataques terroristas de 11 de setembro) era indivíduos sauditas?, afirmou Rumsfeld. Um pouco antes, o Pentágono divulgou um comunicado classificando a Arábia Saudita como "um antigo amigo e aliado" e afirmando que os sauditas "cooperam totalmente na guerra global contra o terrorismo e têm a profunda consideração do departamento e da administração". Terror Mas o conselho consultivo ofereceu uma visão oposta sobre a cooperação saudita - uma que está sendo cada vez mais assumida pela equipe do vice-presidente norte-americano, Dick Cheney, por líderes civis do Pentágono e por outros setores da administração Bush, segundo informações publicadas na edição de hoje do jornal The Washington Post. "Os sauditas são ativos em todos níveis da cadeia do terror, dos planejadores aos financiadores, dos oficiais de alta patente ao soldado raso, dos ideólogos aos chefes de torcida" - essa frase teria sido dita na reunião do conselho, de acordo com o jornal. Autoridades afirmam que 15 dos 19 seqüestradores terroristas de 11 de setembro eram sauditas. E apesar de o Pentágono ter se negado a identificar os 598 suspeitos terroristas encarcerados na prisão militar em Guantánamo, Cuba, fontes estimam que 100 deles são sauditas, o maior ou um dos maiores grupos de prisioneiros. Na reunião do Conselho de Política de Defesa, a Arábia Saudita foi descrita como "a semente do mal, o mais influente e perigoso oponente" dos Estados Unidos no Oriente Médio. Se a Arábia Saudita recusar-se a colaborar, disse o conselho, campos de petróleo na Arábia Saudita e seus ativos financeiros no exterior devem ser "alvejados" - o que não foi especificado exatamente como.

Agencia Estado,

06 Agosto 2002 | 16h40

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