MARIO TAMA / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP
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EUA enviarão 800 soldados para conter caravana de imigrantes da América Central

Trump afirma que militares devem ser usados em razão da ‘emergência nacional’ criada com a chegada de 7 mil imigrantes

Beatriz Bulla CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2018 | 14h30
Atualizado 26 de outubro de 2018 | 13h18

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira, 25, o envio de 800 integrantes do Exército americano para reforçar a fronteira com o México, diante do avanço da caravana de imigrantes da América Central que pretende entrar no país. A informação de uma fonte do Pentágono surgiu após Trump afirmar que os militares devem ser usados para conter a “emergência nacional” nas fronteiras.   

A ideia é que as tropas reforcem o apoio logístico com tendas e equipamentos, na preparação para uma assistência humanitária com a chegada da caravana. Desde abril, Trump enviou reforço de 2,1 mil homens que dão suporte à patrulha da fronteira com o México.

O endurecimento da política sobre os imigrantes está diretamente ligada à proximidade das eleições legislativas de meio de mandato, que acontecerão no dia 6. O discurso contrário à entrada de imigrantes ilegais é uma das principais plataformas políticas de Trump, que tem se dedicado à campanha eleitoral nas últimas semanas. Em jogo, o controle da Câmara dos Deputados e do Senado. 

Hoje, Trump usou o Twitter novamente para pedir que os imigrantes não tentem entrar nos EUA. “Para aqueles na caravana, façam meia volta, nós não estamos deixando as pessoas entrarem nos EUA. Voltem ao seu país e, se quiserem, deem entrada no processo de cidadania, como muitos outros estão fazendo”, escreveu Trump. O presidente já havia ameaçado cortar a assistência financeira destinada à América Central e suspender o Nafta, acordo de livre-comércio renegociado recentemente com o México, caso o avanço da caravana não fosse contido.

O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) estima que em mais de 7 mil pessoas o número dos integrantes da caravana – incluindo crianças com seus pais. Os imigrantes, a maioria de Honduras, pretendem pedir asilo nos EUA diante da pobreza e da violência que enfrentam nos seus países de origem. 

Eles entraram no México pela Guatemala e ainda precisam caminhar mais de 1,5 mil quilômetros até chegar à fronteira com os EUA. A caravana é vista como uma maneira segura de chegar ao território americano, em um caminho que tradicionalmente dependeria do pagamento e da intermediação de traficantes de pessoas, os chamados coiotes. 

Com o cansaço depois de mais de 10 dias de estrada, uma parte dos imigrantes, que tem sido ajudada pela população mexicana, pegou caronas em trajetos curtos – o que tornou o ritmo da caravana mais rápido nos últimos dois dias. Até agora, eles vinham caminhando numa marcha de cerca de 30 quilômetros por dia. Nesse ritmo, eles levariam mais de um mês para chegar à fronteira.

Solidariedade

Os imigrantes têm contado com a solidariedade dos mexicanos. Diversas ONGs organizaram a acolhida dos viajantes e ajuda humanitária em pontos-chave da rota. Na Cidade do México, doações têm chegado com frequência, segundo líderes de uma rede de apoio que reúne 50 grupos. Na capital mexicana, os imigrantes encontrarão abrigo para as famílias e pontos para os viajantes poderem comer e descansar. 

Como o grupo é grande, há uma parcela de imigrantes que pretende tomar um trem na cidade de Arriaga, no Estado de Chiapas, sul do México, até a fronteira com os EUA. Outros, no entanto, preferem que todos sigam caminhando juntos. Até agora, segundo o governo mexicano, 1.743 mil imigrantes pediram asilo para ficar no país e abandonar o grupo.

Hoje, imigrantes de uma segunda caravana cruzaram de balsa a fronteira da Guatemala com Honduras. Segundo autoridades locais, a marcha reúne cerca de 2 mil pessoas que pretendem se juntar à caravana que já está no México.

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