Pentágono diz que violência sectária está além de Bagdá

O Pentágono afirmou nesta sexta-feira que a violência sectária está se espalhando pelo Iraque, refletindo os desafios encontrados na segurança do país desde a invasão norte-americana, em 2006.Em um documento enviado ao Congresso, o Pentágono diz que milícias estão entrincheiradas, especialmente nas redondezas de Bagdá, onde são vistas pela população como fornecedoras de segurança e de serviços sociais básicos.O relatório aponta crescimento na violência sectária, alimentada pelos vizinhos Irã e Síria e dirigida por "uma minoria" de extremistas religiosos que se opõe à idéia de democracia no Iraque. O aumento no número de mortes de civis é um problema crescente, apontando para um possível guerra civil, segundo o documento."Esquadrões da morte e terroristas alteram-se em ciclos de violência", afirmou o relatório. A insurgência sunita é vista como "potente e viável", mesmo sendo disfarçada por algumas seitas."Existem condições que podem levar a uma guerra civil no Iraque, especialmente ao redor de Bagdá, e o interesse por uma guerra civil aumentou nos últimos meses", diz o documento. Este é o último de uma série de documentos requeridos pelo Congresso dos Estados Unidos para avaliar as condições econômicas, políticas e de segurança no Iraque.Peter Rodman, assistente da secretaria de defesa para assuntos de segurança internacional, disse aos repórteres que mesmo com os avanços na economia e na produção de eletricidade no país, as condições da violência pioraram muito no Iraque, mesmo com o aumento das tropas de coalizão.O documento leva em conta as condições do país desde que o Primeiro Ministro Nouri al-Malaki tomou posse, em maio de 2006. "Os níveis de violência aumentaram, ela se tornou mais aguda e preocupante", afirmou Rodman.Otimismo relutanteSegundo o relatório, o otimismo entre os iraquianos diminuiu. Questionados sobre se "as coisas serão melhores no futuro", a porcentagem de respostas positivas caiu principalmente em relação aos fatos dos últimos seis meses. Este é o primeiro documento apresentado ao Congresso desde que o governo iraquiano assumiu todos os ministérios do país, em junho de 2006. Desde então, as tensões sectárias aumentaram, "manifestadas em matanças, seqüestros e ataques a civis".Bagdá deixou de ser o centro da violência, que agora atinge as cidades de Diyala e Kirkuk, províncias ao norte da capital. O documento também cita o crescimento em regiões do sul, predominantemente xiitas, especialmente na cidade de Basra, uma das mais pobres do país."A segurança está na sua situação mais complexa desde o início da ´Operação Iraque Livre´", segundo o documento. A operação teve início em março de 2003, com a queda do presidente Saddam Hussein.Mesmo com o crescente risco de uma guerra civil, o documento considera que a violência não deve desencadear uma guerra e que as expectativas para isso devem parar. "Quebrar o ciclo de violência é a principal meta para o Iraque, tanto por parte da coalizão quanto por parte das forças iraquianas", conclui o relatório.

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