Pentágono estuda acelerar retirada do Iraque

Segundo Gates, 5 mil soldados podem partir antes

AP E NYT, O Estadao de S.Paulo

30 de julho de 2009 | 00h00

Cerca de 5 mil soldados americanos podem deixar o Iraque antes do previsto, por causa da redução da violência no país, disse ontem o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates. Após fazer uma visita de dois dias a Bagdá, ele afirmou que "há uma possibilidade modesta de aceleração" da retirada até o fim deste ano. A declaração de Gates é o primeiro indício de que o governo do presidente dos EUA, Barack Obama, pode estar repensando sua decisão de manter uma grande quantidade de homens no Iraque e trazê-los de volta aos poucos. Atualmente, os EUA têm cerca de 130 mil militares no Iraque. Pelo plano original de Obama, os soldados de combate seriam retirados do país até o prazo máximo de 31 de agosto de 2010. A partir de então, somente cerca de 40 mil soldados permaneceriam no Iraque, mas em funções de aconselhamento e treinamento. Autoridades americanas temiam que a retirada parcial que ocorreu no mês passado - quando os soldados dos EUA deixaram as cidades iraquianas - pudesse minar os avanços na segurança obtidos até então. No entanto, Gates disse que o general Ray Odierno - principal comandante americano no Iraque - garantiu-lhe que a situação está até melhor do que a esperada. Apesar de atentados com dezenas de vítimas ainda ocorrerem em todo o Iraque, o número de mortos vem diminuindo nos últimos meses. Não há um número oficial de civis mortos no Iraque. Mas, segundo estimativas, dez iraquianos foram mortos por dia neste ano em episódios relacionados à guerra. Em 2007, no ápice da violência contra civis, eram 50 pessoas mortas diariamente. As mortes entre as forças dos EUA também tiveram redução. Segundo uma contagem feita pela agência de notícias Associated Press, sete soldados dos EUA foram mortos este mês - o número mais baixo desde o início da guerra, em 2003. O governo iraquiano disse que a aceleração da retirada seria bem-vinda, acrescentando que está trabalhando pelo mesmo objetivo, mas precisa de mais armas e treinamento. "A medida deve coincidir com uma aceleração no treinamento e no armamento das forças de segurança do Iraque", disse Ali al-Dabbagh, porta-voz da presidência iraquiana.

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