Pentágono libera transcrições de audiências em Guantánamo

O Pentágono liberou nesta segunda-feira o segundo lote das transcrições das audiências de detentos da base naval de Guantánamo, em Cuba. Os documentos, até então confidenciais, devem revelar detalhes sobre quem esteve preso na base americana e por quais motivos. O porta-voz do Pentágono, Bryan Whitman, disse em Washington que os documentos foram liberados em resposta ao processo instaurado pela agência de notícias Associated Press. As transcrições são o segundo de dois lotes de documentos liberados. Elas contém os nomes e outros detalhes dos detentos presos na base americana em Cuba, que começou a receber homens capturados durante a "guerra contra o terror" há mais de quatro anos. Nas 2.733 páginas de documentos, muitos presos declaram-se inocentes enquanto membros do tribunal tentam encontrar brechas em suas histórias. Cerca de 700 prisioneiros passaram pelas celas de Guantánamo. Segundo Whitman, 490 homens permanecem presos na base. O porta-voz disse a repórteres que as autoridades aprenderam muito interrogando os detentos, que são mantidos em celas protegidas por arame farpado. "Aprendemos sobre a busca da Al-Qaeda por armas de destruição em massa. Aprendemos sobre seus métodos de recrutamento e localização de centros de recrutamento". Faltam evidências Mas a leitura dos documentos não mostra fundamento para essas afirmações. Na verdade, as audiências serviram apenas para determinar se o preso constituía uma ameaça para os Estados Unidos. Cada um dos detentos que participou das audiências era classificado previamente por outras instâncias em Guantánamo, como o Tribunal de Revisão de Status de Combate, que definia se o prisioneiro era "um combatente inimigo", ou seja, se ele lutava contra o exército americano e seus aliados em apoio ao regime taleban, à Al-Qaeda e forças associadas. Caso ele fosse taxado como tal, estaria sob uma classificação que concederia menos proteção legal que as oferecidas aos prisioneiros de guerra sob a Convenção de Genebra. Para grupos de direitos humanos, no entanto, essas classificações poderiam ser definidas como vagas.

Agencia Estado,

03 Abril 2006 | 19h24

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