Pentágono notifica Congresso sobre corte de funcionários

Sem acordo sobre dívida pública até fim do mês, 800 mil servidores terão salários reduzidos e muitos serão demitidos

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2013 | 02h00

O Pentágono notificou ontem o Congresso dos EUA que suspenderá um dia de trabalho por semana de 800 mil servidores civis. A medida abre as portas para uma redução de 20% nos salários dos funcionários e pretende economizar US$ 5 bilhões nas despesas do Departamento de Defesa neste ano fiscal.

Cerca de 80% deles poderiam perder o emprego nas próximas 22 semanas. A iniciativa faz parte de uma plano mais amplo de corte de US$ 46 bilhões nos gastos com a Defesa em 2013, a ser aplicado se não houver acordo entre o Congresso e a Casa Branca sobre o ajuste nas contas públicas até dia 28.

"Faremos o que for possível para desempenhar nossa missão central de prover segurança aos EUA, mas não há dúvidas de que cortes rígidos e profundos resultarão em um sério prejuízo na prontidão de nossas forças", afirmou o secretário de Defesa, Leon Panetta, em sua mensagem ao Congresso. "Estamos fazendo o possível para reduzir os piores efeitos sobre o pessoal do Pentágono, mas nossa flexibilidade diante da lei é extremamente limitada."

O anúncio surge como pressão adicional sobre congressistas republicanos e democratas para que concluam um acordo sobre os cortes nos gastos federais até dia 28. Este é o segundo capítulo, ainda pendente, do plano de redução da dívida pública americana, hoje de US$ 16,4 trilhões, o equivalente a 100% do Produto Interno Bruto (PIB).

Sem um acordo, a partir de 1o de março haverá um corte automático de US$ 110 bilhões nos gastos federais neste ano, dos quais US$ 46 bilhões em Defesa e o restante em programas sociais. Entre 2014 e 2022, outros US$ 450 bilhões seriam economizados nas mesmas áreas.

O Pentágono não informou seu plano para reduzir mais US$ 41 bilhões em despesas até setembro, quando termina o ano fiscal nos EUA. As medidas podem afetar contratos de aquisição de equipamentos, como os 20 aviões de combate que seriam enviados ao Afeganistão. A retirada de 34 mil soldados americanos do front afegão, anunciada em janeiro, não deve reduzir as despesas deste ano fiscal.

Ao contrário, a preparação logística e de transporte para a retirada tende a elevar as despesas militares até setembro, antes do embarque das tropas de volta aos EUA. O Pentágono, porém, é conhecido por ter muita "gordura" e por seus gastos exagerados, quando comparados com outras secretarias e agências.

O Exército e a Força Aérea têm 130 bandas de música, que consomem US$ 500 milhões ao ano, segundo o jornal The Hill. Há dois anos, o então secretário da Defesa, Robert Gates, disse "haver mais servidores nas bandas militares do que diplomatas".

Os gastos com ar-condicionado no Afeganistão e no Iraque, em 2011, somaram US$ 20,2 bilhões, de acordo com a Reuters. Os generais mais graduados costumam viajar para o exterior em jatos privados, enquanto embaixadores seguem em voos comerciais.

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