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Pentágono pede cautela a Trump e alerta para riscos de guerra com Irã

Secretário de Defesa Mark Esper se reuniu com o presidente na Casa Branca dois dias depois dos ataques com drones na Arábia Saudita

Missy Ryan e Dan Lamothe / Washington Post, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2019 | 09h42

WASHINGTON - O Pentágono recomendou na segunda-feira, 16, ao presidente americano, Donald Trump, dar uma resposta cautelosa aos ataques recentes a instalações petrolíferas na Arábia Saudita. Fontes do Departamento de Defesa alertaram para o custo elevado de um conflito com o Irã, a quem a Casa Branca culpou pelo ataque a um dos mais importantes aliados americanos no Oriente Médio.

O secretário de Defesa Mark Esper se reuniu com o presidente e seus principais assessores de segurança nacional na Casa Branca dois dias depois dos ataques com drones reivindicados pelos rebeldes iemenitas houthi, que são apoiados por Teerã, numa escalada dramática das tensões entre as potências regionais. 

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Por meio de sua conta no Twitter, Esper - que assumiu o Pentágono em junho - disse que as Forças Armadas americanas estão trabalhando com outras agências do governo para lidar com um ataque sem precedentes.

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 Defenderemos as regras internacionais que estão sendo enfraquecidas pelo Irã
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Mark Esper, secretário de Defesa dos EUA

Em privado, o Pentágono pressiona por cautela e tenta acalmar um cenário tenso que pode levar os Estados Unidos a um conflito sangrento com o Irã, num momento em que o Departamento de Defesa tenta debelar conflitos no Oriente Médio e equiparar sua competição militar com a China. 

O principal argumento do Pentágono contra uma retaliação ao Irã é o de que nenhum ativo americano foi alvo dos ataques do fim de semana. Além disso, a Casa Branca, também de acordo com o Departamento de Defesa, precisaria de um escopo legal para agir militarmente contra Teerã. 

Pentágono alertou para risco de conflito com Irã

A Trump, os oficiais do Pentágono disseram que um conflito com o Irã colocaria em risco 70 mil militares americanos que servem no Oriente Médio, do Egito ao Paquistão. 

O ceticismo do Departamento de Defesa com as políticas de Trump para o Irã não é novo. O Pentágono teve ressalvas à decisão do presidente de abandonar o acordo nuclear e retomar as sanções contra o país.

Em junho, depois de um drone americano ter sido abatido no Estreito de Ormuz, Trump autorizou um ataque ao Irã e retrocedeu. 

Trump deu sinais contraditórios sobre retaliação

Na segunda-feira, o presidente adotou uma posição similar ao dizer num primeiro momento que poderia ordenar um ataque em retaliação ao bombardeio contra a Aramco. Horas depois, Trump disse “não ter interesse numa guerra”. 

Os ataques ocorreram poucos dias depois da demissão do assessor de segurança nacional John Bolton, um entusiasta de posições mais duras contra o Irã, que, segundo o Pentágono, poderiam levar os Estados Unidos a um conflito desnecessário. 

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Enquanto o impasse continua, o Pentágono mantém em análise um repertório de medidas que não necessariamente incluem o uso da força. Uma delas é o aumento do número de tropas no Oriente Médio e o reforço do poderio militar americano na região. 

Analistas acreditam que com a confirmação do envolvimento iraniano no ataque, os Estados Unidos deveriam recorrer ao Conselho de Segurança da ONU para tomar qualquer decisão.  “Todo mundo deve respirar um pouco antes de tomar qualquer decisão”, disse  Jim Stavridis, ex-comandante da Otan. “Mas ninguém sabe realmente o que pode acontecer. /WASHINGTON POST

 

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