Pentágono pede mais tropas no Afeganistão

O principal comandante norte-americano no Afeganistão, general Stanley McChrystal, afirmou em um relatório secreto que os Estados Unidos correm o risco de perder a guerra se não enviarem mais soldados ao país. No documento - que foi entregue ao presidente Barack Obama no dia 30 e vazou para o jornal "Washington Post" -, McChrystal diz que os aliados precisam virar o jogo em 12 meses, sob o risco de não ser mais possível derrotar o Taleban. "Se não revertermos o ímpeto dos insurgentes no curto prazo (12 meses) - enquanto as forças de segurança afegãs estão amadurecendo -, nos arriscamos a não conseguir mais derrotá-los."

AE, Agencia Estado

22 de setembro de 2009 | 08h24

Apesar do relatório, a Casa Branca continuou firme ontem em sua convicção de resistir a pressões pelo envio de mais tropas a território afegão. "Nós vamos concluir a análise estratégica antes de tomar decisões sobre recursos adicionais, e não o contrário", disse o porta-voz de Obama, Robert Gibbs. O general McChrystal ainda vai enviar um pedido formal de mais tropas, especificando o número de soldados que ele acredita ser necessário. Segundo algumas fontes, o número deve ficar entre 20 mil e 50 mil soldados adicionais.

Em seu relatório de 66 páginas, McChrystal diz ser essencial conquistar o apoio da população afegã, reduzindo a hostilidade contra o governo do presidente Hamid Karzai e as forças estrangeiras. O general é bastante crítico em relação ao governo de Cabul, que qualifica de corrupto e tão perigoso para a missão dos aliados quanto os insurgentes. Mas ele não é totalmente pessimista. "Apesar de a situação ser séria, ainda é possível ter sucesso", diz McChrystal.

A situação de Obama é delicada. Legisladores democratas não querem uma escalada do envolvimento norte-americano no Afeganistão. A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, disse na semana passada que "não existe muito apoio para mandar mais soldados para o Afeganistão, nem no país nem no Congresso". O próprio Obama vem mostrando relutância. "Não vou mandar mais nenhum homem ou mulher para o Afeganistão até ter certeza de que temos a estratégia certa", disse ele na rede de TV NBC no domingo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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