Pentágono revê estratégia para tomar o sul do Afeganistão

O Pentágono está reconsiderando a estratégia para conquistar o sul do Afeganistão, enquanto a Aliança do Norte estendeu nos últimos dias influência na região norte do país. A inesperada rapidez da queda do regime taleban no norte surpreendeu os oficiais do Pentágono, obrigando-os a rever planos para levar adiante a segunda parte da guerra, considerada a mais difícil, no sul do Afeganistão.A esperança dos estrategistas norte-americanos de fomentar no sul defecções e insurreições entre os líderes pashtuns, com o enfraquecimento dos talebans no poder, não se concretizou nas últimas semanas. "O êxodo da guerra no sul estará condicionado ao que ocorrer nos próximos dias em Cabul", admitiu um oficial do Pentágono.Se a fuga dos talebans da capital afegã pode induzir os moderados entre os pashtuns - a etnia que é a coluna vertebral do Taleban - a se distanciarem do regime agonizante, atos de violência e massacre praticados por guerrilheiros da Aliança do Norte em Cabul e outras cidades conquistadas poderiam ter o efeito contrário.O controle do norte garante aos Estados Unidos importantes vantagens no envio de suprimentos, o controle dos aeroportos e, sobretudo, a obtenção de informação de inteligência sobre a situação na região de Kandahar, quartel-general do Taleban e da Al Qaeda.Se no fim não se concretizarem as esperadas deserções, o Pentágono poderia recorrer no sul a uma segunda opção, ou seja, o uso de forças terrestres. Esta opção, entretanto, exigirá o emprego de milhares de soldados e também meses de preparação. A terceira opção no sul, que seria incentivar a Aliança do Norte a manter ofensiva para a região, é menos provável.Os guerrilheiros da aliança pertencem a grupos étnicos nortistas e não se sentiriam à vontade por desconhecimento do terreno e também das relações tribais no sul do Afeganistão.O resultado seria o de reforçar e tornar mais compacto em Kandahar o regime dos talebans e, em conseqüência, tornar ainda mais difícil a busca de uma solução pacífica para o Afeganistão numa era pós-Taleban.Os talebans em retirada estão se refugiando nas montanhas e talvez optem pela guerra de guerrilha - mas não será certamente como nos tempos dos mujahedins, porque então havia um invasor estrangeiro e agora nenhum outro grupo apóia nem quer o Taleban.Leia o especial

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