Pentágono revela nome de detidos em Guantánamo

O Pentágono divulgou os nomes das 588 pessoas que permaneceram detidas na base naval de Guantánamo (Cuba), em resposta a um pedido feito pela agência de notícias Associated Press. Na lista, segundo a agência, aparecem detidos de 41 países. O maior número (132) procede da Arábia Saudita, e há 125 pessoas do Afeganistão e 107 do Iêmen. Esta é a primeira vez que o Pentágono divulga uma lista oficial de detidos que passaram por um Tribunal de Revisão em 2004 e 2005 para determinar se eles poderiam ser designados como "combatentes inimigos". A agência, que tinha requerido a lista no amparo da Lei de Liberdade de Informação, revelou nesta quinta-feira que os identificados "estão entre os primeiros indivíduos capturados na guerra global contra o terrorismo por supostos vínculos com a Al-Qaeda ou os talebãs". Entre os identificados oficialmente está David Hicks, um muçulmano australiano acusado de combater as tropas americanas no Afeganistão. Hicks é um dos 10 detidos que o Pentágono selecionou para serem julgados em tribunais militares, acusados de terrorismo, ajuda ao inimigo e conspiração para cometer atos terroristas. Na lista também aparece o nome de Muhammed al-Qahtani, um saudita que supostamente seria o 20º integrante dos quatro comandos terroristas que provocaram os atentados de 11 de setembro de 2001. Também estão na lista ex-dirigentes do regime talebã do Afeganistão, como o ex-chefe de pessoal do Ministério da Defesa, mulá Mohammed Fazil; os agentes de inteligência Abdul Haq Wasiq e Gholam Ruhani, e o ex-embaixador talebã perante o Paquistão, Abdul Salam Zaif, que foi libertado em 2005. Desde que os Estados Unidos lançaram em setembro de 2001 sua guerra contra o terrorismo, centenas de homens de dezenas de países foram transferidos para a base naval americana em Guantánamo. Alguns deles permaneceram na prisão durante mais de quatro anos sem julgamento, sem recursos legais e sem outra determinação de seu status além da qualificação de "combatentes inimigos" atribuída pelos EUA.

Agencia Estado,

20 Abril 2006 | 11h26

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