Pentágono se prepara para intensificar ataques terrestres

Os Estados Unidos têm um "modesto número" de soldados dentro do Afeganistão, afirmou hoje o secretário da Defesa Donald H. Rumsfeld, na mais clara admissão até agora do Pentágono da presença de tropas terrestres americanas na guerra antiterrorismo. Os soldados estariam fazendo um trabalho de ligação com combatentes anti-Taleban da Aliança do Norte e ajudando a fazer chegar suprimentos ao grupo, assim como identificando alvos para bombardeios dos EUA. "Temos um número modesto de tropas no país", afirmou Rumsfeld numa entrevista coletiva no Pentágono. Ele negou-se a ser mais específico sobre o número. Ele disse que alguns soldados americanos uniformizados estão no norte, onde a principal oposição ao Taleban está lutando, e que outros têm "entrado e saído do sul" do Afeganistão. Agora, metade dos bombardeios americanos está sendo feita com o objetivo de ajudar a oposição, acrescentou. Hoje, 80% dos ataques aéreos visavam linhas de frente do Taleban diante de posições da Aliança do Norte. Líderes da Aliança do Norte anunciaram hoje que estão se preparando, em coordenação com os Estados Unidos, para lançar uma grande ofensiva contra a estratégica cidade sulista de Mazar-i-Sharif, controlada pelo Taleban. Grã-Bretanha - Rumsfeld ofereceu a entrevista coletiva em Washington acompanhado pelo secretário da Defesa britânico, Geoff Hoon. Ele disse que a Grã-Bretanha contribuirá com 4.200 homens para a Operação Liberdade Duradoura. "É uma clara demonstração de nosso comprometimento de ficar ao lado de nosso aliado mais próximo pelo tempo que for necessário", afirmou Hoon. "Estamos preparados para uma longa campanha". Hoon também disse que não seria inteligente anunciar antecipadamente se haverá uma pausa ou limitação dos ataques aéreos durante o mês sagrado muçulmano, Ramadã, que começa em meados de novembro. "Temos de levar em consideração essa sensibilidade (muçulmana) e vamos levar em consideração", afirmou. "Mas não faz sentido indicar de pronto quais poderão ser nossas intenções militares durante esse período". Linha de frente - Enquanto isso, na campanha aérea no Afeganistão, aviões de combate americanos concentraram seus ataques hoje nas linhas de frente ao norte da capital afegã. Uma grande explosão ocorreu numa linha de frente cerca de 40 km ao norte de Cabul, provocando um nuvem de fumaça de pelo menos 300 metros de altura. Não ficou claro o que causou a explosão, já que no momento não havia aviões na área. E o general Tommy Franks, comandante da operação dos EUA no Afeganistão, reuniu-se hoje com autoridades no Usbequistão, onde cerca de 1.000 soldados da 10ª Divisão de Montanha estão estacionados numa base aérea a 144 km da fronteira nortista do Afeganistão. Invasão terrestre - Na questão das tropas terrestres, Rumsfeld havia apenas sugerido anteriormente a presença delas no Afeganistão. Ele e outros têm dito repetidamente que será preciso mais do que ataques aéreos para pegar Osama bin Laden, o principal suspeito dos atentados terroristas de 11 de setembro nos EUA, e os líderes do Taleban que o apóiam. Oficiais também têm dito que futuras ações de comandos americanos ou outros combates em terra contra o Taleban e a rede Al-Qaeda, de Bin Laden, podem ser baseadas numa pista de pouso dentro do Afeganistão. Na segunda-feira, autoridades do Pentágono disseram que o estabelecimento de uma base dos EUA num campo de pouso afegão era uma das várias possibilidades sendo consideradas pelo Departamento de Defesa. Provavelmente serão necessárias tropas terrestres para se conseguir uma vitória sobre Bin Laden e o Taleban, mas guerras passadas no Afeganistão - notavelmente o fracasso da antiga União Soviética depois de dez anos de lutas - têm mostrado o alto custo de uma invasão terrestre convencional de larga escala. Leia o especial

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