Stephen Crowley/The New York Times
Stephen Crowley/The New York Times

Pentágono trabalha sob pressão por plano contra o EI

Primeira operação militar sob ordens de Trump para eliminar jihadistas no Iêmen termina com a morte de civis e soldado

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2017 | 05h00

A máquina de guerra dos EUA está em movimento – e tem até o dia 28, um mês desde a ordem executiva de Donald Trump, para apresentar um plano para destruir o Estado Islâmico (EI) no Iraque e na Síria. Segundo o presidente americano, ocupante da Casa Branca há apenas duas semanas, “não pode haver acomodação ou negociação”. Ele ordenou ao gabinete a “estratégia para aniquilar o EI”. 

O documento de quatro páginas foi entregue simultaneamente às 13 autoridades do Executivo diretamente envolvidas no processo – do vice-presidente, Mike Pence, ao Diretor Nacional de Inteligência, Dan Coats. Duas horas depois, o Pentágono fazia a primeira reunião sobre a exigência presidencial. 

Um dia mais tarde, as coisas começaram mal. Há uma semana, um grupo do 6.º Esquadrão Seal, um dos mais eficientes times das forças especiais dos EUA, atacou uma posição da Al-Qaeda na Península Arábica (AQPA), no distrito de Al-Bayda, no Iêmen. Foram mortos 14 militantes, nessa primeira operação antiterror conduzida sob ordens de Trump. Também morreu um agente Seal, William “Ryan” Owens. 

Uma caríssima aeronave “tilt” V-22, avaliada em US$ 72 milhões – que pousa e decola como helicóptero, mas voa como avião –, caiu no deserto quando se dirigia ao local do resgate dos combatentes. Os destroços foram explodidos pelos tripulantes para não serem tomados pelos extremistas. A tecnologia do V-22 é considerada secreta na maior parte.

Desse ponto em diante, as informações são nebulosas. Teria sido eliminado um líder regional “de grande valor estratégico” da AQPA e mais 13 homens da organização. O chanceler iemenita, Abdul Malik, criticou “as execuções sem processo e os assassinatos de civis”, referência às oito mulheres e oito crianças que teriam morrido na ação dos Seal. 

Uma menina, cidadã americana, filha de Anwar al-Awlaki – integrante da Al-Qaeda nascido nos EUA –, é apontada como mais uma vítima. Há dois anos, o pai dela foi abatido em um bombardeio de drones. O presidente era Barack Obama e a ação levantou críticas por ter como alvo um cidadão do país, ainda que extremista confesso. Seis militares americanos ficaram feridos – três deles na queda do V-22, produzido pelo consórcio Bell-Boeing. O orçamento para a construção de 480 unidades bate em US$ 35 bilhões.

Trump foi receber os restos mortais do Ryan Owens. Houve um movimento para atribuir o fiasco a uma falha de planejamento da operação, iniciada no governo anterior. Não funcionou. O comando e o andamento, decididos de acordo com as condições do momento, foram fechados pouco antes do sinal verde, em Washington, para a tropa seguir em frente.

A destruição do EI “não tem solução rápida”, reconheceu o secretário de Defesa, general James “Cachorro Louco” Mattis – uma peça-chave nas guerras do Afeganistão, em 2001, e do Iraque, em 2003 –, diante do Comitê das Forças Armadas do Congresso, em Washington. 

Uma estratégia possível é a mobilização parcial dos recursos de pessoal e de equipamentos, posicionados em 150 pontos no mundo todo, 90 deles com capacidade efetiva de fogo. No total, são 130 mil homens e mulheres, centenas de aviões de combate, navios lançadores de mísseis, 10 porta-aviões, cada um com 80 aeronaves a bordo, milhares de tanques, blindados, helicópteros, drones e veículos de emprego geral. 

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