Pentágono vê ''exagero'' em reações sobre bases

Para responsável pelo Hemisfério Ocidental no Departamento de Defesa dos EUA, novo acordo Washington-Bogotá não afetará países da região

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

15 de agosto de 2009 | 00h00

Estão sendo disseminados vários "exageros e incorreções" a respeito do acordo militar entre Colômbia e EUA, diz Frank Mora, vice-secretário de Defesa dos EUA para o Hemisfério Ocidental. Em entrevista ao Estado, ontem, Mora afirmou que "todas essas incorreções foram um esforço de alguns governos para voltar à tradicional retórica anti-EUA na região". De acordo com Mora, o acordo, que segundo o Pentágono prevê a utilização de sete bases militares pelos EUA na Colômbia, vai apenas aprofundar a relação entre Bogotá e Washington. "Não haverá nenhuma base americana na Colômbia", garantiu. O vice-secretário afirmou que a única mudança será a modernização da Base Aérea de Palanquero, à qual os EUA destinarão US$ 46 milhões para melhorar a pista de pouso. Mora não afasta a possibilidade de os EUA usarem em Palanquero aeronaves de transporte C-17, que têm grande autonomia e permitiriam missões de longa distância no continente. "Não posso responder se vamos ou não usar os C-17 em Palanquero. Essa é uma decisão que ainda não foi feita", disse. "Contudo, a modernização da base era necessária, independentemente do tipo de aeronaves que vamos usar. E, tanto o C-17 quanto o P-3, outra aeronave muito usada para operações antidrogas, têm grande autonomia de voo."Mora afirmou que será mantido o limite de 800 soldados e 600 civis americanos nas bases. "A missão é combater o tráfico de drogas apenas na Colômbia", afirmou. "Também usaremos as bases para auxiliar no combate a organizações terroristas, como as Farc, dentro das fronteiras colombianas."Muitos analistas acham que os EUA foram inábeis ao não informar antecipadamente ao Brasil e a outros países da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) sobre as negociações com a Colômbia. Houve comparações com o anúncio da reativação da 4ª Frota, em 2008, que foi recebido com desconfiança na região. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a decisão estaria ligada à descoberta de petróleo no pré-sal. Pressionado, o Pentágono teve de lançar uma ofensiva de relações públicas para consertar o estrago. Mora nega que tenha havido falta de transparência no acordo com a Colômbia. "Não podíamos comunicar algo quando ainda estávamos no meio da negociação."

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