Pequim adota 'informantes' contra protestos ou ataques

Cenário: Felipe Corazza e Cláudia Trevisan

O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2012 | 02h06

O governo chinês ordenou um reforço intenso nas medidas de segurança durante o 18.º Congresso do Partido Comunista que começou na quinta-feira em Pequim. Milhares de agentes extras foram convocados para aumentar a patrulha nas ruas da cidade e postos de inspeção foram colocados em diversas partes da capital.

Equipamentos de raios X e cães farejadores estão sendo utilizados nas entradas das estações do metrô e em outros pontos considerados estratégicos pelas forças policiais. A atenção especial está na região da Praça Tiananmen, onde fica a sede do encontro do partido, o Grande Palácio do Povo. Além de policiais e militares, voluntários civis patrulham as calçadas da avenida que cruza a cidade e passa diante da praça.

Identificados por uma faixa vermelha presa ao braço por um alfinete, os voluntários já trabalham normalmente ajudando a polícia em bairros mais afastados do centro. Em geral, são comerciantes que buscam alguma forma de aproximação com o poder. Enquanto vendem, observam a movimentação da vizinhança e têm o compromisso de relatar acontecimentos fora do comum.

No período do encontro do partido, a concentração de "informantes" no centro da cidade é curiosa. Protegidos do calor por guarda-sóis, os voluntários ficam a cada 30 ou 40 metros uns dos outros. Na área mais próxima de Tiananmen, a distância entre um observador e outro não ultrapassa os 15 metros.

A segurança mais intensa já pode ser vista mesmo a três quilômetros do local do congresso. Para chegar à praça, é necessário passar por, no mínimo, duas inspeções e é proibido levar qualquer tipo de líquido. Mochilas e malas são revistadas e os cidadãos chineses precisam mostrar identidade para provar à polícia que não estão na cidade de forma ilegal - a permissão para permanência é verificada por um policial que usa um leitor digital para ter acesso aos dados de cada pessoa.

Antes do Congresso, grande parte dos trabalhadores migrantes da construção civil teve de deixar a cidade, a exemplo do que ocorreu durante os Jogos Olímpicos. Os poucos que tiveram permissão para ficar são permanentemente vigiados e não podem chegar perto do Grande Palácio do Povo sem um bom motivo.

Novas câmeras de segurança foram instaladas no topo do Museu Nacional - que fica no lado oposto ao palácio na Praça Tiananmen. Policiais usam bicicletas elétricas e versões incrementadas do segway (veículo individual sobre duas rodas) para circular pelas calçadas e ruas. A polícia também revista todos os carros e ônibus que levam delegações de filiados do partido e da imprensa à praça.

A vigilância high-tech também existe no centro de imprensa, que fica a poucos quilômetros da praça, e na entrada dos edifícios que têm alguma relação com o Congresso. A exemplo do prédio que abriga a estrutura montada para os jornalistas, o prédio do Ministério de Relações Exteriores e o próprio Palácio do Povo têm equipamentos que leem dados guardados nos crachás especiais e exibem nome e foto do visitante assim que pisa no recinto.

Esquadrões antibomba ficam de prontidão a uma quadra da Praça Tiananmen. Os policiais também têm à disposição pequenos contêineres esféricos para confinar qualquer objeto que pareça representar perigo. Os recipientes de metal reforçado são feitos para aguentar o impacto de uma bomba e reter gases tóxicos.

Além da proteção normal que um governo providencia a seus líderes, o incremento na segurança pretende evitar que aconteça qualquer tipo de protesto. Pequim também teme que grupos radicais realizem atentados durante o momento máximo do Partido Comunista, com atenção especial aos que apoiam a causa do movimento separatista islâmico dos uigures da Província de Xinjiang.

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