Pequim afasta chefes do PC por onda de ataques

Governo chinês age para restaurar calma após atentados com seringas

Cláudia Trevisan, PEQUIM, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2009 | 00h00

O governo chinês tentou restaurar a calma na Província de Xinjiang com o afastamento de dois chefes subalternos do Partido Comunista na região e a promessa de que responsáveis pelos ataques com seringas ocorridos nas duas últimas semanas receberão punições severas.

O secretário-geral do Partido Comunista na região, Wang Lequan, foi mantido no cargo apesar de milhares de pessoas pedirem seu afastamento em protestos que tomaram as ruas da capital da região, Urumqi, no fim da semana passada.

Os manifestantes eram chineses da etnia han, que pediam segurança e proteção contra a onda de ataques. Há 15 anos no cargo, Wang já havia sobrevivido a um dos mais graves conflitos étnicos da história da China, que deixou 197 mortos e 1.600 feridos em Xinjiang, em 5 de julho.

De acordo com a agência oficial de notícias Nova China, 25 suspeitos dos ataques foram presos. Os agressores poderão ser sentenciados a penas que variam de 3 anos de prisão à execução, caso fique comprovado que as agulhas estavam contaminadas, afirmou o governo.

Até ontem, 531 pessoas disseram ter sido atacadas em Urumqi, mas apenas 106 apresentavam sinais evidentes de perfuração. Médicos do Exército de Libertação Popular afirmaram que ainda é cedo para dizer se as vítimas foram contaminadas com substâncias químicas, radioativas ou vírus.

Doenças relacionadas aos ataques podem demorar até seis meses para se manifestar, segundo declarações de Qian Jun, diretor de Escritório de Controle de Doenças e Segurança Biológica da Acadamia Militar de Ciências Sociais.

Desde sexta-feira, Qian e uma equipe de cinco médicos militares examinaram 217 pessoas que alegaram ter sido vítimas de ataques com seringas. "Até agora, não há evidência de que elas tenham contraídos doenças relacionadas a substâncias radioativas, antraz, substâncias químicas tóxicas, microorganismos, hepatite ou aids", disse Qian.

A maioria das vítimas apresentou marcas provocadas por outros fatores, como picadas de mosquitos. Especialistas ressaltaram ainda que seria necessária uma quatidade muito grande de sangue contaminado para infectar várias pessoas, o que não seria fácil de se obter.

Os ataques causaram uma onda de pânico entre os hans que vivem em Xinjiang, que saíram às ruas nos últimos dias para exigir a demissão de Wang Lequan.

As autoridades de Pequim decidiram manter Wang no cargo, mas afastaram o secretário-geral do Partido Comunista em Urumqi, Li Zhi, e o chefe de polícia da província, Liu Yaohua.

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