Pequim ameaça jornalistas que cobrem o caso

A polícia chinesa convocou para interrogatórios 13 jornalistas estrangeiros que trabalhavam na sexta-feira no hospital Chaoyang, onde o ativista cego Chen Guangcheng está internado. Os agentes de segurança disseram que os correspondentes haviam desrespeitado a regulamentação sobre a atividade jornalística na China e teriam seus vistos revogados se a situação voltasse a se repetir no futuro.

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

06 Maio 2012 | 03h04

Essa foi a mais séria ameaça a jornalistas estrangeiros desde o início do ano passado, quando dezenas de correspondentes foram interrogados depois de tentar cobrir frustrados protestos semelhantes aos que derrubaram governos autoritários no mundo árabe.

Convocações anônimas circularam na internet, mas as manifestações nunca chegaram a ocorrer. Ainda assim, jornalistas que foram aos locais determinados para checar o que aconteceria foram "fichados" pela polícia e convocados para interrogatórios. Pelo menos um foi espancado por policiais à paisana.

A legislação que regulamento o trabalho de correspondentes estrangeiros na China prevê que eles podem entrevistar qualquer pessoa ou organização, desde que obtenham seu consentimento.

Os policiais disseram aos 13 jornalistas que eles haviam desrespeitado a regra ao entrar no estacionamento do hospital, seguindo o carro da Embaixada dos Estados Unidos que levava um médico para examinar Chen Guangcheng.

O Clube de Correspondentes Estrangeiros na China divulgou nota ontem na qual condena o que considera uma reação desproporcional e uma tentativa de intimidação dos jornalistas.

O fato revela o grau de nervosismo do governo chinês em relação ao caso de Chen, que ganhou projeção internacional depois de escapar da prisão domiciliar extralegal em que era mantido havia 19 meses na Província de Shandong e se refugiar na Embaixada dos Estados Unidos.

O ativista chinês deixou a representação diplomática americana na quarta-feira, depois de permanecer no local por seis dias. / C.T.

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