Pequim aposta no mercado interno para fugir da crise

O Partido Comunista, no poder na China, deixou claro que deseja expandir seu imenso mercado interno para fazer frente à desaceleração econômica global, que reduziu a demanda internacional por produtos chineses. Ao final da reunião de quatro dias do Comitê Central, sob a presidência de Hu Jintao, foi aprovado um plano cujo objetivo é dobrar a receita do setor rural em 2020, de acordo com o comunicado divulgado pelo Partido. "Precisamos intensificar os esforços para estimular a demanda interna, em particular o consumo doméstico, e manter a economia, o setor financeiro e o mercado de capitais estáveis", foi o teor da declaração, divulgada pela agência oficial de notícias Nova China. O Partido admitiu que existem "contradições e problemas" inerentes à economia da China, afirmando que todos os seus membros devem se preparar para maiores desafios à medida que a crise financeira global se desdobra. A China enfrenta dificuldades com os altos custos de energia e a inflação, mas as autoridades dizem que o país tem potencial para crescer, apesar das incertezas globais, por causa da sua vasta mão de obra, do imenso mercado doméstico e da competitividade crescente de suas empresas. Os economistas reduziram as previsões de crescimento do país para 9% ao ano, em comparação com os 11,9% contabilizados no ano passado. Essa ainda é a mais alta taxa de crescimento já registrada por qualquer outro país. Contudo, os líderes comunistas querem manter o crescimento robusto para reduzir a pobreza e evitar queda no nível de emprego, o que pode provocar tensões políticas. A China reduziu suas taxas de juro na quarta-feira, pretendendo com isso reativar o crescimento econômico - em desaceleração - e ajudar os exportadores com problemas. Segundo o governo, a intenção é dobrar a receita dos agricultores do país - atualmente em torno de US$ 600 per capita por ano - nos próximos 12 anos, para reduzir as desigualdades politicamente explosivas entre a elite urbana, que se beneficiou do "boom" econômico, e a grande maioria da população que vive abaixo da linha de pobreza. A idéia é também estimular os níveis de consumo na zona rural por uma "grande margem" e eliminar a pobreza no campo, disse o comunicado. Estima-se que 15 milhões de pessoas do interior da China vivem na pobreza absoluta. Na mesma reunião, o comitê aprovou também uma emenda legal que deu aos mais de 700 milhões de habitantes da zona rural maior liberdade para arrendar e transferir suas terras. Os economistas chineses esperam que as reformas produzam um aumento das áreas de cultivo e uma atividade agrícola mais eficiente para melhor atender as demandas da economia e, ao mesmo tempo, manter o país auto-suficiente. *Gillian Wong escreveu este artigo para a ?Associated Press?

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