Pequim arma forte esquema de segurança na região

O governo de Pequim isolou o Tibete e aumentou a presença de forças de segurança na região às vésperas do aniversário de 50 anos do fracassado levante de tibetanos contra o domínio chinês que forçou o exílio do dalai-lama na Índia, que será comemorado amanhã. Jornalistas e turistas estão proibidos de entrar na área e os que conseguiram burlar a restrição relatam um cenário de guerra, com toque de recolher e postos de vigilância.A entidade Free Tibet Campaign afirma que a região está sob uma lei marcial "de fato" e acusa o governo de realizar prisões arbitrárias e torturar suspeitos de terem qualquer relação com as manifestações de 2008. "A intensidade da repressão no Tibete não tem precedentes e é difícil prever o que acontecerá", disse ao Estado, por telefone, Kate Saunders, porta-voz do Free Tibet.Pequim teme a repetição das manifestações que há um ano tomaram as ruas de Lhasa, capital do Tibete, e de várias outras cidades em províncias vizinhas habitadas por tibetanos, como Gansu, Sichuan e Qinhai.Os protestos de 2008 começaram de maneira pacífica em 10 de março, quando monges se reuniram nas ruas para lembrar o levante de 1959 e pedir a volta do dalai-lama. No dia 14, a manifestação se tornou violenta e grupos de tibetanos atacaram e mataram comerciantes da dinastia han, a etnia majoritária da China, com 92% da população. De acordo com o governo chinês, 22 pessoas morreram, no que foi o mais sangrento protesto contra o domínio de Pequim na região em 19 anos.Os exilados sustentam que centenas de pessoas morreram em choques com a polícia e estimam que 1.300 estão presas ou desaparecidas. As autoridades de Pequim afirmam que a situação na área é estável e dizem que não ocorrerão protestos semelhantes aos de 2008, ainda que reconheçam a possibilidade de "pequenos incidentes".O tibetano Qiangba Puncog, chefe do governo da região, sustenta que a maioria da população apoia o governo chinês. "Depois dos protestos, mais e mais tibetanos perceberam que a estabilidade é uma bênção e a agitação, um desastre", declarou Qiangba. Mas a confiança de que não haverá distúrbios está centrada em um forte esquema de controle.A estratégia do governo de promover o crescimento da região e legitimar sua presença por meio da prosperidade material parece não ter sido suficiente para aplacar a insatisfação dos tibetanos. Muitos se ressentem do fato de que os principais beneficiários do crescimento são os migrantes han, os alvos dos protestos de 2008.A tensão aumentou ainda mais depois que a China instituiu um feriado para marcar o fim do regime de servidão existente no Tibete até o levante de 1959 e o exílio do dalai-lama na Índia. A data será celebrada no dia 28 de março e é promovida pelo governo chinês como uma espécie de abolição da escravatura. C. T.

Claudia Trevisan, O Estadao de S.Paulo

09 de março de 2009 | 00h00

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