Pequim boicota reunião sobre a Síria em Paris

Cresce pressão de países ocidentais contra posição de Pequim e Moscou, principais fiadores do regime Damasco na comunidade internacional

PARIS, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2012 | 03h07

A China anunciou ontem que não participará da reunião dos Amigos da Síria, que ocorre amanhã em Paris, para negociar uma saída diplomática para o conflito. Pequim aderiu à posição da Rússia, que também boicotará o encontro. França e Grã-Bretanha criticaram Moscou e Pequim, os dois maiores aliados da Síria na comunidade internacional, em razão da intransigente defesa do regime de Bashar Assad.

Segundo o porta-voz da chancelaria chinesa, Liu Wei Min, o presidente Hu Jintao descartou a hipótese de ir à cúpula. "A comunidade internacional deveria se concentrar em implementar o consenso do Grupo de Ação para a Síria", disse Liu, em referência ao plano negociado pelo enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, para formar um governo de transição que pode incluir Assad.

Ainda de acordo com o porta-voz, a solução diplomática da crise síria chegou a um ponto crítico. "Para alcançarmos esse objetivo é preciso o esforço consensual e a participação de todos os envolvidos na Síria", disse Liu.

Em reunião em Paris, os chanceleres da Grã-Bretanha, William Hague, e da França, Laurent Fabius, prometeram pressionar a ONU por ações mais duras contra a Síria se o plano de transição de governo proposto não surtir efeito. As principais críticas do chanceler britânico foram dirigidas à Rússia.

"A Rússia precisa entender que a situação na Síria está à beira do colapso", disse Hague. "Não há razão para apoiar o regime de Assad."

Perda de influência. Para Fabius, se Moscou não abandonar Assad, um líder "condenado", correrá o risco de perder influência na região. "Os russos têm de entender que estão apoiando um regime condenado e, com isso, podem perder influência na região", declarou. "Ninguém contestaria essa influência se eles colaborassem para encontrar uma solução."

Com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, Pequim e Moscou têm impedido qualquer tipo de sanção contra Assad. O general sírio O general sírio Manaf Mustafa Tlass, comandante de uma brigada da Guarda Republicana e próximo da cúpula do regime, desertou ontem para a Turquia.

Tlass era íntimo da família do ditador e filho de um general da guarda pessoal de Hafez Assad, pai de Bashar. Os rebeldes sírios, que lutam desde março do ano passado contra o regime, consideraram a debandada um "golpe duro" para Damasco. / AP, EFE e REUTERS

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