Pequim classifica como 'obscenidade' prêmio Nobel para ativista chinês

Chineses reprovam decisão e afirmam que ela pode estremecer relações com a Noruega

estadão.com.br

08 de outubro de 2010 | 07h43

PEQUIM - A China reprovou a decisão do Instituto Nobel de laurear do dissidente chinês Liu Xiaobo com o prêmio Nobel da Paz deste ano, o que chamou de "obscenidade", segundo um comunicado publicado nesta sexta-feira, 8, no site do Ministério de Exteriores de Pequim, momentos após a premiação ser anunciada.

 

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Na nota, a chancelaria afirma que o prêmio deveria ser dado a pessoas que promovam as relações internacionais amistosas e o desarmamento. "Liu Xiaobo é um criminoso que foi sentenciado pelos departamentos judiciais da China por violar a lei", diz o comunicado. O Ministério diz que laurear Liu com o prêmio "vai ao contrário dos princípios do Nobel e também constitui uma blasfêmia ao legado do prêmio".

 

O comunicado ainda afirma que a decisão pode gerar atritos entre a Noruega e a China, embora mais detalhes não tenham sido dados. O vice-chanceler chinês, Fu Ying, havia alertado anteriormente o chefe do instituto norueguês que se Liu fosse laureado, as relações de Oslo e Pequim seriam estremecidas, justo em um momento no qual é negociado um acordo comercial.

 

No mês passado, uma representante do Ministério de Exteriores chinês disse que as ações de Liu são "diametralmente opostas às procuradas pelo Nobel". Pequim também fez duras críticas ao Nobel quando o dalai-lama, líder espiritual tibetano exilado, recebeu o prêmio, em 1989.

 

Liu Xiaobo é o primeiro dissidente chinês a receber o prêmio. Ele foi escolhido "por seu longo e pacífico esforço pelos direitos humanos fundamentais na China".

 

Com Reuters, Efe e AP.

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