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Pequim considera Celac 'grande marco na integração regional'

De acordo com porta-voz oficial, a China deseja aumentar as relações com América Latina

05 de dezembro de 2011 | 12h51

PEQUIM - A China considera a formação da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) "um grande marco na integração regional" e deseja colaborar com o órgão, afirmou nesta segunda-feira, 5, um porta-voz oficial.

De acordo com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Hong Lei, o presidente da China, Hu Jintao, parabenizou em mensagem aos países-membros pela constituição do novo organismo integrador, e manifestou a disposição chinesa para "reforçar o diálogo, a troca e a colaboração com a Celac".

A China aprecia o papel positivo dos países latino-americanos e caribenhos nos assuntos internacionais e regionais, e dá grande importância a suas relações com a América Latina.

O catedrático do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Academia de Ciências Sociais Sun Hongbo destaca que a fundação da Celac "reflete a crescente influência regional em um mundo multipolar", informou o "China Daily".

De acordo com Sun, a China espera um desenvolvimento sustentado da Celac, e confia em que se transforme em uma grande plataforma para o diálogo e uma futura colaboração sino-latino-americana.

Com o crescimento destas economias, a Celac reflete o esforço da região para aprofundar na integração, pois "seus ricos recursos, gigantesco potencial de desenvolvimento e crescente status internacional valorizam a posição estratégica da América Latina", afirma.

Segundo o especialista chinês em América Latina, a criação da Celac "irá ajudar também seus membros a resolverem mal-entendidos, diferenças e tensões, além de fortalecer suas habilidades para prevenir influências externas na região".

Sun afirmou que a Celac "será um porta-voz regional" em reuniões ministeriais e fóruns internacionais e ao estabelecer seu próprio mecanismo de comunicação e coordenação irá aumentar sua voz e influência na política global.

"Como a Celac exclui os Estados Unidos, se transformou em uma alternativa à Organização dos Estados Unidos (OEA) dominada por Washington, pois a maioria dos países latino-americanos deseja escapar ou pelo menos amenizar a grande influência dos EUA na região", disse Sun.

"Mas a Celac enfrenta grandes desafios à espera do consenso sobre a direção, marco operacional, financiamento e coordenação com outras organizações sub-regionais, enquanto a interferência externa, o protecionismo comercial e as disputas territoriais são potenciais obstáculos ao seu desenvolvimento", concluiu. 

 

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