Pequim culpa uigures por atentado

Separatistas islâmicos seriam responsáveis por ataque que matou 29 pessoas em uma estação de trem de Kunming, no sábado

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2014 | 02h09

As autoridades chinesas prometeram ontem responder com veemência ao ataque "terrorista" em uma estação de trem da cidade de Kunming, que deixou 29 mortos e dezenas de feridos no sábado. O chefe da segurança pública chinesa, Meng Jianzhu, culpou terroristas uigures e anunciou que tomará "medidas enérgicas para reprimir a violência" no país.

Pequim responsabilizou pelo ataque os muçulmanos uigures de Xinjiang. É a primeira vez que militantes de Xinjiang são responsabilizados por um atentado em grande escala tão longe de sua terra natal. No momento da chacina, os terroristas estavam vestidos de preto e armados com facas. Eles teriam entrado na estação e começado a apunhalar pessoas indiscriminadamente.

A Província de Xinjiang, uma região autônoma da China, é, desde 2009, cenário de violentos ataques entre uigures - uma minoria muçulmana - e chineses da etnia han. No entanto, ataques a civis são raros, especialmente fora da região.

O ataque na estação de Kunming, capital da Província de Yunnan, deixou 143 feridos. A polícia matou a tiros quatro agressores, prendeu um quinto membro do grupo e iniciou uma busca para encontrar os outros. A agência de notícias Xinhua chamou a matança de "O 11 de Setembro Chinês" e de "crime contra a humanidade".

O presidente chinês, Xi Jingping, pediu esforços redobrados para esclarecer os fatos e garantiu que os responsáveis serão "devidamente punidos".

Especialistas alertaram ontem para um possível aumento da violência étnica na China. "O impacto psicológico na opinião pública será gigantesco, o que poderia justificar uma vasta operação de repressão", disse Shan Wei, pesquisador da Universidade de Cingapura.

A China é alvo de constantes críticas internacionais por sua política discriminatória contra as minorias de Xinjiang e do Tibete. Analistas ocidentais contestam as justificativas dadas por Pequim, que garante enfrentar uma jihad em seu próprio território.

Discriminação. "Sem sombra de dúvidas, os empresários discriminam Xinjiang em razão dos muçulmanos", afirma o especialista em política étnica da Universidade de Ciências de Hong Kong, Barry Sautman.

Sautman também ressaltou que o islamismo radical prosperou na Ásia Central após o desmantelamento da União Soviética e acredita que, em vez de repressão, o segredo para acabar com essas tensões é a discriminação positiva e uma maior autonomia para as regiões separatistas. / REUTERS e AP

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