Pequim diz que dalai-lama tem de demonstrar sinceridade

China concorda com nova rodada de negociações com representantes do líder tibetano exilado na Índia

Efe e Associated Press,

06 de maio de 2008 | 08h37

O governo da China afirmou nesta terça-feira, 6, que o dalai-lama terá de demonstrar "sinceridade, especialmente em suas ações", para a continuação do diálogo com a China, o primeiro mantido desde as revoltas de 14 de março no Tibete.   Veja também: A questão tibetana    "Quero ressaltar que o atual contato é somente um princípio e que o contato do governo central com o dalai é sincero. Enquanto o entorno do dalai demonstrar sinceridade, especialmente em suas ações, o contato continuará", assinalou o porta-voz de turno da Chancelaria chinesa, Qin Gang. Ao contrário do governo tibetano no exílio, o porta-voz não quis responder por que o encontro entre dois emissários do dalai-lama e dois funcionários comunistas na cidade chinesa de Shenzhen terminou aparentemente de forma abrupta no domingo, quando estava previsto para durar dois ou três dias.   Na segunda, o governo tibetano exilado em Dharamsala (Índia) negou que o encontro de domingo tenha terminado antes do tempo. "Não é verdade. As conversas terminaram de acordo com o planejado", assinalou à agência PTI o primeiro-ministro da Administração Central Tibetana, Samdhong Rinpoche.   O ministro disse que os enviados do dalai-lama expressaram aos funcionários chineses o desejo do líder espiritual de que a paz seja restituída de forma imediata, e qualificou de "infundadas" as acusações das autoridades chinesas que atribuem ao dalai a instigação dos protestos de março.   Novas negociações   Os enviados do dalai-lama deixaram a China na segunda-feira, após um dia de encontros com funcionários chineses que terminaram com um acordo para uma nova reunião. Trata-se de um aparente sinal de progresso para dissipar as tensões causadas pelos violentos protestos contra Pequim ocorridos no Tibete.   Ativistas internacionais acusam a China de exageros na repressão aos protestos contra o governo central no Tibete e em outras províncias com população tibetana no país. Alguns analistas apontam que Pequim aceitou o encontro com os enviados para evitar críticas às vésperas dos Jogos Olímpicos de Pequim, em agosto.   As conversas ocorreram em Shenzen, perto de Hong Kong. Mesmo com a iniciativa de realizar os encontros, o governo chinês, através de órgãos oficiais, seguiu atacando o dalai-lama. O líder nega as acusações de ser um dos responsáveis por fomentar os protestos.   A China alega que 22 pessoas morreram por causa da violência gerada a partir dos protestos na capital tibetana, Lhasa, em março. Porém, ativistas pró-Tibete citam mais de 200 mortos durante as manifestações e na repressão que se seguiu. O dalai-lama, que fugiu do Tibete durante uma fracassada insurgência em 1959, diz que busca maior autonomia para o Tibete, mas nega querer tornar a província independente da China.

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