Oliver Weiken/Efe
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Pequim diz que erro de chinesa gerou onda de violência étnica

Engano ao entrar em dormitório gerou briga que terminou com dois mortos e mais de cem feridos, em junho

Efe

09 de julho de 2009 | 05h04

Os piores distúrbios étnicos na China das últimas décadas foram gerados pelo erro de uma jovem da etnia han, que causou um mal-entendido ao se enganar de porta em um dormitório de trabalhadores uigures, informou hoje a agência oficial de notícias local "Xinhua".

 

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Os violentos confrontos entre as duas etnias começaram em 26 de junho, quando uma jovem de 19 anos, chamada Huang Cuilian e trabalhadora de uma fábrica de brinquedos de Shaoguan (Cantão), entrou por engano no dormitório de jovens uigures que trabalhavam com ela.

 

"Estava perdida, entrei no dormitório incorreto e gritei quando vi os uigures", assegurou Huang, originária de uma zona rural da província de Cantão.

 

Aparentemente, um dos uigures tentou brincar com ela e Huang fugiu correndo. "Depois me dei conta de que estavam apenas brincando", admitiu.

 

Impressionados com o grito, trabalhadores da etnia han foram ao quarto, quando ela já não estava, e agrediram os uigures - a briga terminou com dois mortos e mais de 100 feridos.

 

Dias depois do incidente na fábrica, no último dia 5, cerca de 300 jovens uigures protestavam no centro de Urumqi, capital da região de Xinjiang - a mais de 3 mil quilômetros de Shaoguan - pela falta de informação sobre o incidente.

 

Os manifestantes pediam castigo aos responsáveis pelo linchamento de trabalhadores de sua etnia. Horas depois do início da manifestação, vários focos de violência na cidade de Urumqi, com ataques a automóveis, ônibus e lojas, deixaram pelo menos 156 mortos, mais de mil feridos, e um número semelhante de detidos, segundo o Governo.

 

As autoridades da província de Cantão alegaram que as diferenças de cultura e idioma entre os locais e os uigures causam certo "isolamento" dessa comunidade, que conta com 800 trabalhadores na região.

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