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Pequim diz que uigures receberam treinamento da Al-Qaeda

China mantém milhares de soldados em Urumqi; autoridades tentam conter confrontos em região muçulmana

09 de julho de 2009 | 08h43

O governo chinês disse nesta quinta-feira, 9, que os distúrbios em Urumqi foram atos premeditados realizados por muçulmanos uigures, entre eles "ativistas separatistas" que receberam treinamento da Al-Qaeda e de outras organizações terroristas internacionais. Milhares de tropas estão nas ruas da capital da província chinesa de Xinjiang para tentar restabelecer a normalidade no local.

 

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Em entrevista coletiva, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Qin Gang, Pequim luta contra forças "extremistas, separatistas e terroristas" formadas no exterior. No entanto, Qin lembrou que os enfrentamentos entre muçulmanos uigures e chineses da etnia han na região de Xinjiang, que causaram pelo menos 156 mortos, são "um assunto totalmente interno da China", por isso descartou que qualquer organismo internacional participe do conflito.

 

O porta-voz chinês respondeu à proposta da Turquia - país com fortes laços com os uigures pela origem turcomana desta etnia - de levar o conflito ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. "Os incidentes de 5 de julho são atos de violência criminal graves, organizados e premeditados, destinados a sabotar a união nacional e a solidariedade étnica do país", acrescentou. Por isso, disse, a China tomará duras medidas contra estas forças (em referência aos agressores) e a comunidade internacional deveria se unir, "em vez de adotar dois pesos e duas medidas".

 

O chefe do Partido Comunista da China em Urumqi, Li Zhi, afirmou que aqueles considerados culpados de assassinato durante os confrontos étnicos que sacudiram o local serão condenados à morte.

 

Helicópteros jogaram panfletos sobre a cidade e caminhões com alto-falantes marcharam pela cidade com mensagens pedindo calma e culpando extremistas pela onda de violência. Segundo a BBC, algumas lojas estão abertas em Urumqi, mas há relatos da imprensa de que a cidade continua dividida e em clima tenso.

 

O presidente da China, Hu Jintao, em suas primeiras declarações depois do retorno da cúpula do Grupo dos Oito (G8, os sete países desenvolvidos e a Rússia) na Itália, disse que a estabilidade de Xinjiang é "a tarefa mais importante e premente", segundo uma nota da agência oficial Xinhua.

 

A violência começou no domingo quando chineses muçulmanos da etnia uigur entraram em choque com a polícia. Os uigur convivem em tensão com os chineses da etnia Han. Muitos uigures são separatistas e reclamam que não estão participando do crescimento econômico chinês, devido à discriminação contra sua etnia.

 

Mulher han causou 1ª briga

 

Os piores distúrbios étnicos na China das últimas décadas foram gerados pelo erro de uma jovem da etnia han, que causou um mal-entendido ao se enganar de porta em um dormitório de trabalhadores uigures, informou a agência oficial de notícias local Xinhua.

 

Os violentos confrontos entre as duas etnias começaram em 26 de junho, quando uma jovem de 19 anos, chamada Huang Cuilian e trabalhadora de uma fábrica de brinquedos de Shaoguan (Cantão), entrou por engano no dormitório de jovens uigures que trabalhavam com ela. "Estava perdida, entrei no dormitório incorreto e gritei quando vi os uigures", assegurou Huang, originária de uma zona rural da província de Cantão.

 

Aparentemente, um dos uigures tentou brincar com ela e Huang fugiu correndo. "Depois me dei conta de que estavam apenas brincando", admitiu. Impressionados com o grito, trabalhadores da etnia han foram ao lugar, quando ela já não estava, e enfrentaram os uigures, em uma briga que terminou com dois mortos e mais de 100 feridos.

 

As autoridades da província de Cantão disseram que as diferenças de cultura e idioma entre os locais e os uigures causam certo "isolamento" dessa comunidade, que conta com 800 trabalhadores na região. Dias depois do incidente na fábrica, no último dia 5, jovens uigures protestaram no centro de Urumqi, capital da região de Xinjiang, pedindo castigo aos responsáveis pelo linchamento de trabalhadores de sua etnia.

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