Miraflores Palace / Reuters
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Pequim e Caracas fecham acordos de US$ 20 bilhões, segundo investigação

Esquema de corrupção era realizado com ajuda de diplomata da embaixada venezuelana em Pequim

Jamil Chade, enviado especial a Andorra, O Estado de S.Paulo

04 Novembro 2018 | 06h00

ANDORRA - O esquema de corrupção denunciado por Andorra aponta para o uso de um diplomata venezuelano na embaixada em Pequim. Em troca de intermediar contatos entre as gigantes chinesas e os chavistas, ele recebeu mais de R$ 1,5 milhão. As transações ocorreram graças a uma aproximação importante entre China e Venezuela, a partir de 2007. 

“A Venezuela, diante da necessidade de construir infraestrutura no setor energético, assinou convênios com a China para criar um fundo de financiamento conjunto”, diz o Ministério Público de Andorra. O fundo foi financiado em dois terços pelos chineses – a Venezuela completou os recursos. Quem passou a administrar o fundo foi o Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (Bandes). 

Em 2010, mais um acordo de US$ 20 bilhões foi assinado. A condição era de que empresas chinesas fossem privilegiadas nos contratos em licitações públicas. No centro do esquema estava Diego Salazar, primo de Rafael Ramírez, ex-presidente da PDVSA e ministro do Petróleo da Venezuela entre 2004 e 2014. 

“Foi neste contexto que Salazar teve a ajuda dos diplomatas da embaixada na China, para entrar em contato com empresas e facilitar os contratos em troca de importantes somas de dinheiro”, constatou a investigação. “As empresas chinesas pagaram a Salazar entre 10% e 15% dos contratos para obter as licitações.” 

“Para obter informações e poder se situar como intermediário imprescindível para as grandes empresas do setor, Salazar subornou o primeiro secretário da embaixada, Luis Tenorio Rodriguez. O diplomata passou a ser apresentado ao banco BPA, de Andorra, em 2012, e criou uma empresa de fachada, a Phomphein Corporation. Em troca de serviços de consultoria, Tenorio recebeu US$ 400 mil entre 2012 e 2014.

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