Pequim e Moscou impulsionam parceria estratégica

Gigantes deixam de lado diferenças históricas e intensificam cooperação militar e comercial

O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2024 | 00h00

Desde os tempos de Stalin, que morreu em 1953, russos e chineses não viviam uma relação bilateral tão intensa. A China é hoje a maior compradora de petróleo da Rússia e os dois países trabalham na construção de um oleoduto de 4 mil quilômetros que ligará a Sibéria à Mandchúria. O projeto é uma extensão dos freqüentes encontros entre os presidentes Vladimir Putin e Hu Jintao, que renderam uma estreita cooperação comercial e militar entre os dois países. "Considerando o passado recente, essa parceria estratégica é surpreendente", disse Baohui Zhang, cientista político da Universidade de Lingnan, em Hong Kong. De fato, apesar de diferenças históricas, russos e chineses têm problemas similares. Um deles é a ameaça interna de separatismos e movimentos islâmicos. Outro é a presença incômoda dos EUA na Ásia. Nesse contexto, Pequim e Moscou arquitetaram a Organização de Cooperação de Xangai (SCO, na sigla em inglês)."A SCO foi um meio encontrado pela Rússia e pela China para contrabalançar a presença americana na Ásia Central", afirmou Anara Tabyshalieva, diretora do Instituto de Estudos Regionais de Bishkek, no Quirguistão."Quando foi fundada, em 2001, os EUA não deram a menor importância à SCO. Mas, à medida que a organização se foi consolidando, atraiu outros países da região e começou a atormentar Washington", disse Alexander Lukin, diretor do Instituto de Relações Internacionais de Moscou. Para atingir seu principal objetivo, afastar os EUA da região, Rússia e China precisam provar que os americanos não são necessários na Ásia Central. Para isso, a SCO deve mostrar força. Foi isso o que militares dos dois países tentaram fazer na última semana de agosto, quando colocaram de cabeça para baixo um pequeno vilarejo no leste da Rússia. Cerca de 6 mil soldados, 24 helicópteros, 8 caças e 6 cargueiros quebraram a monotonia do povoado de Pashino. As tropas de elite, russas e chinesas, simularam uma ação contra células terroristas na maior operação conjunta realizada pela SCO até agora. Embora Pequim não comente, diplomatas russos comemoram nos corredores do Kremlin a esperança de que a SCO seja, em breve, a nêmesis da Otan. Alguns se referem à organização como o "Pacto de Xangai", que surgiria em substituição ao finado Pacto de Varsóvia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.