Pequim inicia julgamento de colaborador do ´NY Times´

Um tribunal de Pequim começou nesta sexta-feira, após 22 meses de espera, o julgamento de Zhao Yan, o colaborador do jornal The New York Times que revelou, em 2004, o afastamento do líder comunista Jiang Zemin e foi acusado por isso de revelar segredos de Estado. Mo Shaoping, advogado de Zhao, informou que o julgamento começou com as primeiras declarações do acusado e testemunhas. Zhao foi detido em setembro de 2004, pouco depois de o jornal americano noticiar a saída de Jiang Zemin da Comissão Militar Central. Segundo os analistas, o cargo dava ao político um grande poder à sombra do atual presidente Hu Jintao. Após a detenção, o governo e os tribunais chineses se negaram a dar informação sobre a situação legal de Zhao durante mais de umAno. Só em dezembro de 2005 ele foi formalmente acusado de revelação de segredos de Estado e fraude. A demora foi criticada por grupos de defesa dos direitos humanos. No julgamento, a portas fechadas, a acusação vai pedir 10 anos de prisão. Julgamento políticoZhao vai se declarar inocente e alegar irregularidades no processo. Em abril deste ano,durante a visita do presidente Hu Jintao aos Estados Unidos, a Justiça chinesa retirou as acusações. Semanas depois, voltou atrás. Segundo a defesa, o procedimento é incorreto, já que não surgiram provas novas. Além de jornalista, Zhao desempenhou desde o ano 2002 um papel muito ativo como defensor dos direitos humanos dos camponeses na província de Fujian. Por isso, organizações como a Human RightsWatch (HRW) definiram o julgamento como "político".Segundo a ONG Repórteres sem Fronteira, a China é o país onde existem hoje mais jornalistas presos: cerca de 40. Mas a chefe do escritório da revista americana "Newsweek" em Pequim, Melinda Liu, presidente da Associação dos Correspondentes Estrangeiros da China (FCCC), acredita que o número é pelo menos o dobro

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