Pequim promete eleições livres, ilhéus duvidam

O governo chinês prometeu que a população de Hong Kong elegerá seu governante por meio de votação direta em 2017, mas há um ceticismo generalizado nos grupos pró-democracia em relação à possibilidade de a promessa ser cumprida. Para eles, Pequim permitirá o sufrágio universal, mas controlará o processo de escolha dos candidatos, o que vai limitar a liberdade dos eleitores de determinar quem serão seus representantes.

HONG KONG, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2012 | 03h09

O atual sistema político de Hong Kong é desenhado para garantir o domínio chinês na definição dos ocupantes dos postos-chave da administração. O modelo também reduz o peso do voto direto da população e o papel dos partidos políticos, que se dividem entre pró-democracia e pró-China.

Os partidos do movimento democrático costumam obter 60% dos votos nas eleições para o Conselho Legislativo, o Parlamento local, no qual apenas metade das 70 cadeiras são definidas em sufrágio universal. As 35 restantes são ocupadas por representantes de 28 grupos profissionais ou de interesse, aliados a Pequim.

"Não podemos dizer que será um sufrágio universal totalmente livre", reconhece Tam Yiu-chung, presidente da Aliança para a Melhoria e Progresso de Hong Kong, o maior partido do Conselho Legislativo e a principal força ligada à China na ex-colônia britânica.

O analista político Dixon Ming Sing, professor da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, ressalta que o sistema atual é desenhado para reduzir o poder dos movimentos políticos organizados, ao impedir que pessoas filiadas a partidos políticos sejam eleitas para o cargo de executivo-chefe da ex-colônia britânica.

O atual ocupante do posto, Donald Tsang, é um ex-servidor público alçado ao comando de Hong Kong em 2005. Na época, sua popularidade superava os 80%. No início deste mês, ela estava no mais baixo nível de seus seis anos de governo, com Tsang se tornando o primeiro ocupante do cargo da história a ser investigado por suspeita de corrupção - outro sinal da influência de Pequim, na opinião dos grupos de oposição. Tsang é acusado de viajar a Macau e Tailândia em iates e jatos de empresários, e se beneficiar de um aluguel abaixo do preço de mercado de uma cobertura na cidade chinesa de Shenzhen. / C. T.

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