Pequim reforça segurança e veta venda de facas

Medida busca evitar incidentes na festa dos 60 anos da Revolução Comunista

Cláudia Trevisan, O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2009 | 08h22

O governo chinês proibiu a venda de facas e outros objetos cortantes em todo o comércio de Pequim, na mais recente medida de segurança para a celebração dos 60 anos da Revolução Comunista, no dia 1º.

 

A proibição foi imposta depois que um homem armado com uma faca matou 2 pessoas e feriu outras 12 na quinta-feira à noite nas proximidades da Praça Tiananmen (Praça da Paz Celestial), o coração político da capital, onde será realizada a cerimônia do dia 1º. No sábado, uma mulher francesa foi atacada por outro homem, mas sofreu apenas ferimentos leves.

 

As facas de cozinha desapareceram dos supermercados, que também pararam de vender tesouras e estiletes. Em uma loja do Wal-Mart no leste de Pequim, os vendedores disseram que os produtos só voltarão depois do aniversário da revolução. "E se eu precisar de uma faca de cozinha antes disso?", questionou a reportagem do Estado. "Você vai ter de voltar depois do dia 1º", foi a resposta.

 

A data será celebrada com uma imensa parada militar, a primeira desde 1999, quando foram comemorados os 50 anos da revolução. Autoridades estão obcecadas com a segurança, especialmente depois que confrontos étnicos na Província de Xinjiang, no oeste, evidenciaram as fissuras na imagem de unidade nacional que a China tenta transmitir ao mundo.

 

Há milhares de policiais nas ruas da capital, que contam com a ajuda de um exército de "vigilantes comunitários". Os integrantes desses grupos cuidam da segurança na região onde vivem e atuam como informantes dos policiais.

 

O governo anunciou ontem que todos os pousos e decolagens em Pequim estarão suspensos durante a cerimônia. Os moradores também não poderão empinar pipas.

A capital será isolada por um cordão de segurança e os veículos que entrarem na região terão de passar por barreiras policiais. Segundo a agência de notícias oficial Nova China, 220 mil policiais e 300 mil vigilantes comunitários serão responsáveis pela ordem em Pequim.

 

A cidade teve uma prévia da mobilização do aparato de segurança na sexta-feira, quando foi realizado o último ensaio antes da cerimônia. As ruas de acesso à avenida principal de Pequim foram bloqueadas e o serviço da linha de metrô que passa sob ela foi interrompido.

 

Três jornalistas da agência Kyodo News foram agredidos por policiais que invadiram seu quarto no Hotel Beijing, nas proximidades da Praça Tiananmen. Os policiais chutaram os repórteres e os forçaram a se ajoelhar. Também destruíram computadores.

Tudo o que sabemos sobre:
China

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.