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Brendan Smialowski/Pool/AFP
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Pequim responde à Otan e pede que parem de exagerar 'teoria da ameaça chinesa'

China disse que não representa 'desafio sistêmico' para ninguém, mas que não permanecerá indiferente diante de um

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2021 | 12h58

PEQUIM — A China pediu nesta terça-feira, 15, que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) "pare de exagerar a teoria de ameaça chinesa" após a principal aliança militar do Ocidente acusar Pequim de ser um "desafio sistêmico" para o grupo com suas "políticas coercitivas".

Segundo o governo de Xi Jinping, que fez um apelo para que a União Europeia não se junte à estratégia americana, os Estados Unidos estão "muito doentes" por tentarem criar uma frente unida anti-China.

"Exigimos racionalidade da Otan na hora de avaliar o desenvolvimento da China e que deixem de exagerar a teoria de ameaça chinesa. Eles não devem usar nossos interesses legítimos e direitos como desculpas para manipular e criar enfrentamentos artificiais", disse a missão diplomática chinesa na União Europeia em comunicado. "A China não representa um desafio sistêmico para ninguém, mas se alguém quiser nos impor um, não permaneceremos indiferentes."

Ao contrário de seu antecessor, que apostava no embate direto contra Pequim, a estratégia do presidente Joe Biden é juntar seus aliados europeus e asiáticos para tentar impedir que a China desafie a supremacia americana.

Após quatro anos negligenciada pelo governo de Donald Trump, a Otan é um elemento-chave da estratégia anti-Pequim de Biden. 

O comunicado da cúpula de segunda, a primeira desde a troca de comando em Washington, menciona a China 10 vezes — na última reunião, em 2019, a potência asiática havia sido mencionada apenas uma. 

De acordo com o texto, "as ambições declaradas e o comportamento assertivo da China representam desafios sistêmicos da ordem internacional em áreas relevantes para a aliança". 

Na segunda, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, havia dito que todos os 30 países-membros da aliança reconhecem que Pequim "está aumentando suas capacidades militares e continua com seu comportamento coercitivo'' —  buscando neutralizar as acusações de que Washington pauta a agenda monocraticamente. A China, ele disse, está "expandindo rapidamente seu arsenal nuclear" e é "opaca" na hora de prestar contas sobre sua modernização militar.

Em sua nota oficial, a missão chinesa na UE chama as afirmações de "caluniosas" e alegou que a Otan, com sua "mentalidade de Guerra Fria, busca "atacar o desenvolvimento pacífico" do país. 

As políticas de defesa da China, afirmou, "são legítimas e transparentes", ressaltando que o arsenal da Otan é muito superior ao de Pequim. "As cifras de armas nucleares da China não alcançam a magnitude disponível nos países da Otan. Além disso, a China sempre se comprometeu a não dispará-las primeiro em nenhuma circunstância", afirma a nota. "Se a Otan está tão comprometida com 'a paz, a segurança e a estabilidade', pode chegar em um consenso a respeito disso como a China fez?"

A tentativa de formar uma ofensiva de aliados para conter Pequim já havia sido evidenciada no fim de semana, durante a reunião do G-7, quando o grupo adotou sua retórica mais dura diante de Pequim desde o Massacre da Praça da Paz Celestial, em 1989. Em mais uma vitória diplomática para Biden, os EUA e seus aliados apoiaram uma nova investigação da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre as origens do coronavírus.

“Os EUA estão doentes e, de fato, muito muito doentes. É melhor que o G-7 meça o seu pulso e prescreva alguma medicação”, disse nesta terça-feira o porta-voz da Chancelaria, Zhao Lijian, em seu primeiro briefing à imprensa desde o encontro de ambos os grupos que reúnem os EUA e seus aliados.

O comunicado do G-7 também instou Pequim a respeitar os direitos humanos, em especial na província de Xinjiang, além de defender a autonomia de Hong Kong — ambos assuntos que Pequim considera serem domésticos. 

Comentando a cúpula do G-7, Zhao afirmou que ela "expôs as má intenções dos EUA e de alguns outros para criar confronto, distanciamento e expandir diferenças e discórdias".

Buscando minimizar a influência americana, o porta-voz disse que a China e União Europeia são "parceiros estratégicos, e não rivais sistêmicos", acusando Washington de tentar criar barreiras entre Bruxelas e Pequim. No entanto, ele também acusou a Otan de de infringir "guerra e caos" ao mundo, referindo-se ao bombardeio da embaixada chinesa em Belgrado, na Sérvia, em 1999.

“É a dívida de sangue da Otan com o povo chinês”, disse o porta-voz sobre o incidente, pelo qual Washington posteriormente se desculpou e afirmou ter sido um erro causado por mapas desatualizados.

Liderada pelos EUA, a Otan foi criada em abril de 1949, em meio à Guerra Fria, com o objetivo específico de garantir a segurança coletiva dos EUA e da Europa Ocidental frente ao bloco liderado pela antiga União Soviética

Com o fim da Guerra Fria, a Otan perdeu seu propósito inicial e passou a se concentrar em novos desafios de segurança, como o combate ao terrorismo internacional — explicitado na Guerra do Afeganistão, com a invasão de 2001 — a contenção da Rússia e, mais recentemente, a ascensão da China como potência econômica e militar. /Bloomberg e REUTERS

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