Pequim só negocia se dalai abandonar o separatismo

Presidente chinês diz ter esperança de que as atuais conversações terão resultados positivos

Cláudia Trevisan, O Estadao de S.Paulo

05 de maio de 2008 | 00h00

O presidente da China, Hu Jintao, afirmou ontem que a condição para que as negociações com representantes do governo tibetano no exílio prosperem é o abandono de supostas atividades separatistas por parte do dalai-lama. "A porta para o diálogo sempre esteve aberta. Nós sinceramente esperamos que os seguidores do dalai possam mostrar por meio de ações que eles genuinamente abandonaram as atividades separatistas, pararam de incitar a violência e de sabotar a Olimpíada de Pequim", declarou Hu a um grupo de jornalistas do Japão, em entrevista concedida na véspera de sua viagem ao país vizinho.O dalai-lama afirma que não busca a independência do Tibete, mas sim um maior grau de autonomia para a região. O líder espiritual dos tibetanos reitera que é contra o boicote aos Jogos Olímpicos, que começarão em 8 de agosto.As conversas entre os dois enviados do dalai-lama e representantes do governo de Pequim começaram ontem na cidade de Shenzhen, sul da China, e podem se estender até amanhã, segundo Tenzin Raklha, um dos assessores do líder tibetano. "Nós esperamos que os chineses sejam sérios em relação às conversas e temos a esperança de que eles estejam dispostos a examinar os problemas do Tibete", disse Tenzin à Reuters. Segundo a agência oficial de notícias Nova China, Hu Jintao disse ter expectativa de que "desta vez os contatos vão ter resultados positivos". Mas insistiu em sua precondição: "Ao avaliar a posição de uma pessoa, nós temos não apenas de escutar o que ela diz, mas também observar suas ações", disse Hu.O encontro é o primeiro desde que os mais violentos protestos contra a China em duas décadas sacudiram a cidade de Lhasa em 14 de março. Pequim acusa o dalai-lama de ser o responsável pelos atos de violência que provocaram a morte de pelo menos 22 pessoas. Os tibetanos no exílio sustentam que o número de vítimas chega a 140 em toda a região.As manifestações começaram de modo pacífico no dia 10 de março, para marcar o 49º aniversário do fracassado levante dos tibetanos contra o domínio chinês, em 1959. O movimento foi reprimido pelo Exército, o que forçou o exílio do dalai-lama na Índia.No dia 14 de março, as manifestações tornaram-se violentas e os principais alvos dos tibetanos passaram a ser lojas e casas de chineses da etnia han, majoritária no país (91,6%). No Tibete, os han são minoritários, mas dominam muitos dos negócios que prosperaram com o crescimento econômico da região. Representantes do dalai-lama e de Pequim realizaram seis rodadas de negociações desde 2002, mas sem avanços na busca de um acordo para a região.

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