Misha Japaridze/AP
Misha Japaridze/AP

Perda de apoio é inevitável, diz Putin

Partido do premiê da Rússia obteve 50% dos votos, registrando queda em relação a 2007

Associated Press

06 de dezembro de 2011 | 10h39

MOSCOU - O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta terça-feira, 6, estar satisfeito com o resultados das eleições parlamentares do último final de semana, que deram ao seu partido, o Rússia Unida, mesmo que tenha ocorrido uma "inevitável" queda no apoio à legenda. As declarações foram feitas no momento em que a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, criticou o pleito.

 

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O Rússia Unida obteve cerca de 50% dos votos, resultado contestado por político da oposição e monitores eleitorais, que acusam fraudes. Ainda assim, foi uma queda significante em relação ao pleito de 2007, quando a legenda conseguiu 64% dos votos, vencendo dois terços dos assentos no Legislativo, o que permitiu que o partido fizesse mudanças na Constituição.

 

Putin, porém, disse que o partido manteve uma "maioria estável". "Sim, houve perdas, mas elas foram inevitáveis. Elas são inevitáveis para qualquer força política, particularmente para aquelas que estão carregando o fardo da responsabilidade pela situação do país", concluiu o premiê, que concorrerá à presidência no ano que vem.

 

Os resultados refletem a insatisfação com o relativo autoritarismo de Putin e os frequentes casos de corrupção no governo, sinalizando que sua eleição como presidente em 2012 não será tão tranquila quanto parece.

 

As suspeitas de fraude levaram milhares de pessoas a protestar contra o partido do premiê em Moscou na segunda-feira. Os manifestantes gritavam "Rússia sem Putin!" e criticavam o governo. A polícia deteve 300 manifestantes na capital e 120 em São Petersburgo. As forças de segurança foram mobilizadas devido à aparente formação de novos protestos nesta terça.

 

As autoridades russas negaram qualquer violação eleitoral, apesar das críticas de Hillary Clinton. A diplomata americana afirmou que o processo não foi transparente e que "os eleitores russos merecem uma investigação completa sobre eventuais fraudes e manipulações".

 

O único órgão independente de monitoramento eleitoral da Rússia, o grupo Golos, teve seu site invadido no dia da eleição. Além disso, Lilya Shibanova, diretora do órgão, e seu vice tiveram seus emails, seus perfis de redes sociais e seus números de telefone hackeados.

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