REUTERS/Carlos Barria
REUTERS/Carlos Barria

Perda de tempo, diz Trump ao abandonar reunião sobre muro com democratas

Os líderes da oposição tinham ido à Casa Branca para tentar alcançar um acordo que pudesse pôr fim à paralisação parcial orçamentária nos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

09 Janeiro 2019 | 20h11

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abandonou a reunião com a líder da maioria (democrata) e presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, e o líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, que foram à Casa Branca para tentar fechar um acordo em nome dos democratas visando acabar com a paralisia do governo federal.

"Era uma total perda de tempo", tuitou Trump após Schumer revelar o que havia ocorrido durante a reunião: "O presidente simplesmente se levantou e partiu".  

Pelosi e Schumer tinham ido à Casa Branca tentar alcançar um acordo para dar fim à paralisação parcial orçamentária dos Estados Unidos, que se estende desde 22 de dezembro.  Trump insiste na necessidade de obter US$ 5,7 bilhões para construir um muro na fronteira com o México. 

Schumer lamentou o ataque de fúria do presidente. “Ele bateu na mesa e disse que não tinha nada para discutir”, disse. Esta semana, Trump disse que, se não conseguir o que quer, pode declarar estado de emergência nacional, o que lhe permitiria tomar medidas extraordinárias e obter fundos para a construção do muro sem a autorização do Congresso.

Esta disputa pelo muro - uma das promessas de campanha de Trump - ocorre em meio a uma mudança no ciclo político nos Estados Unidos, após os democratas recuperarem, na semana passada, o controle da Câmara, embora os republicanos continuem tendo a maioria no Senado.

"Acho que o presidente deixou clara sua posição de que não vai haver nenhum acordo sem um muro", disse o vice-presidente Mike Pence após a reunião. 

Enquanto isso, mais de 800 mil funcionários federais afetados esperam uma resolução do conflito que lhes aflige desde 22 de dezembro. Muitos deles se encontram em uma licença forçada sem vencimentos, levando-os a graves problemas financeiros que pioram a cada dia.

Deserções

Mais cedo nesta quarta-feira, Trump reuniu-se com congressistas aliados para tentar evitar as primeiras defecções dentro de seu partido. Alguns deputados e senadores republicanos já demonstraram desconforto com a posição intransigente da Casa Branca, que não abre mão de obter do Congresso US$ 5,7 bilhões para construir um muro na fronteira com o México.

Em conversas privadas, assessores de Trump têm pedido aos congressistas republicanos que continuem alinhados e não apoiem nenhuma lei que encerre a paralisação do governo se não houver dinheiro para a construção do muro, ainda que a situação fique cada vez mais penosa para seus eleitores. Trump defendeu sua posição pessoalmente ontem em almoço com senadores republicanos no Congresso. 

Mais cedo, deputados do partido tentaram demonstrar apoio ao presidente. Após uma reunião, eles disseram que não há previsão para o fim da paralisação do governo. 

Democratas, da mesma forma, estavam irredutíveis e insistiram que nunca apoiariam a proposta de Trump para a construção do muro. Para eles, os republicanos acabarão cedendo em meio ao impacto da paralisação. 

“Esperamos que, a cada dia que passa, mais republicanos na Câmara, assim como no Senado, rejeitem publicamente a paralisação do governo”, disse o deputado democrata Hakeem Jeffries. “Na semana passada, tínhamos quatro ou cinco deputados republicanos conosco. Esperamos que esse número chegue aos dois dígitos.”

Na semana passada, sete congressistas republicanos romperam com Trump e apoiaram publicamente a estratégia democrata de financiar o governo e deixar a discussão sobre a construção do muro para depois. / W. POST e AFP 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.