Perdas convertem residência da família Richard em memorial

Irmã de Martin, menino de 8 anos morto no ataque, perdeu a perna e mãe está internada em estado crítico

BOSTON, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2013 | 02h01

A única casa cinza chumbo da Rua Carruth, em Dorchester, no subúrbio de Boston, amanheceu cercada por faixas amarelas, como se fosse uma cena de crime. Martin William Richard, de 8 anos, morto no atentado a bomba em Boston, na segunda-feira, morava ali. Cursava a terceira série em uma escola da vizinhança. Seus colegas deixaram ontem mensagens escritas com giz, como um pequeno memorial. "Nós amamos você", dizia uma delas.

A irmã de Martin perdeu uma perna na explosão e a mãe ficou gravemente ferida. As duas continuavam internadas em um hospital de Boston, ontem, em estado crítico. Em um pronunciamento à imprensa, Bill Richard, pai do garoto, agradeceu as preces por sua família, de amigos e "pessoas que (Martin) jamais conheceu".

Como o menino, Krystle Campbell, de 29 anos, assistia à chegada dos corredores e também não resistiu aos ferimentos que sofreu com as explosões. A terceira vítima é uma estudante da Universidade de Boston - a instituição informou ontem que aguardava autorização da família para revelar seu nome. O governo da China afirmou que a vítima tem cidadania chinesa.

Três brasileiras, funcionárias do Consulado do Brasil em Boston, estavam próximas da linha de chegada da maratona. Carolina Feijó, de 29 anos, Cristina Pitanga, de 40, e Mary Agnello, de 49, estavam a cerca de dez passos do local da primeira explosão, onde foram fotografadas pouco antes do atentado.

Carolina, de Niterói, que vive em Boston há cinco anos, foi ferida por estilhaços nas duas pernas, socorrida em um hospital e liberada em seguida. Entre as três amigas, era a que se mostrava mais abalada . "O pior momento foi quando olhei para trás e vi um pedaço de carne grudado na minha mão. Eu sacudia a mão, mas a carne não saia. Então, a raspei em uma parede", relatou.

As três brasileiras disseram que houve pânico depois das explosões, até mesmo entre policiais. Na correria, em meio à fumaça provocada pelas explosões, Carolina se perdeu de Mary e de Cristina. "Quando vi um policial vir ajudar uma mulher, perguntei a ele como eu podia sair dali. Andei de cabeça baixa. Não queria ver nada", afirmou Carolina.

Pânico. Depois da segunda explosão, Cristina e Mary entraram em um prédio cujos vidros começaram a quebrar. Estilhaços caíram sobre elas. Ao sair, viram uma mulher "com o braço decepado" e outros muitos feridos. Havia muito sangue pelas ruas e a fumaça no ar era densa. No tumulto, elas também se separaram. Cristina foi auxiliada pela funcionária de uma ótica, que só se identificou como brasileira depois de escutá-la falar em português com a filha, que vive em Nova York. "Foi o melhor abraço que recebi", lembrou.

Mary disse ter tentado entrar em outro prédio, mas a porta estava fechada. "Sangue jorrava da perna de uma pessoa perto de mim. Eu olhei meu corpo: não havia sangue em mim. Sacudi a poeira cinza que me cobria e pensei: isso é um atentado, eu tenho de sair daqui."

As três amigas conseguiram se encontrar no carro de Cristina. Amanhã, voltam ao trabalho. Segundo a cônsul do Brasil em Boston, Maria Helena Pinheiro, nenhum caso de brasileiro ferido gravemente foi relatado pelas autoridades locais. / D.C.M

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