'Perdemos um amigo do Brasil', diz Dilma

Presidente lamenta morte do venezuelano, que 'deixa um vazio na América Latina'

RAFAEL MORAES MOURA, LISANDRA PARAGUASSU, TÂNIA MONTEIRO, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2013 | 02h02

A presidente Dilma Rousseff confirmou ontem à noite que vai ao enterro do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, previsto para sexta-feira. Dilma cancelou a viagem que faria na quinta-feira a Argentina para se encontrar com a presidente Cristina Kirchner.

"Se o enterro for agora, vou. Eu irei ao enterro", disse a presidente ao Estado, antes de saber da data do enterro e ao sair do 11.º Congresso Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, onde, em seu discurso, homenageou o presidente morto. Hoje presidente Dilma tem uma grande reunião com governadores e prefeitos.

Dilma ficou sabendo da morte de Chávez por meio do pronunciamento do vice-presidente venezuelano, Nicolás Maduro, na televisão. A presidente estava em seu gabinete quando foi informada pelo secretário especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, do pronunciamento de Maduro.

Logo após assistir à fala de Maduro, a presidente saiu para o congresso da Contag, onde aproveitou seu discurso para pedir um minuto de silêncio e homenagear Chávez.

"Hoje, lamentavelmente, infelizmente, e com tristeza, eu digo pra vocês que morreu um grande latino-americano, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez", disse.

Ela acrescentou que o venezuelano foi uma liderança comprometida com seu país e com o desenvolvimento dos povos da América Latina.

"Em muitas ocasiões o governo brasileiro não concordou integralmente com o presidente Hugo Chávez. Mas, hoje, como sempre, reconhecemos nele uma grande liderança, uma perda irreparável e sobretudo um amigo do Brasil", disse Dilma.

"O presidente Hugo Chávez vai deixar na história e nas lutas da América Latina um vazio. Lamento como presidente da República e como uma pessoa que tinha por ele um grande carinho. Além de liderança expressiva, o presidente Chávez foi um homem generoso, generoso com todos aqueles que nesse continente precisaram dele", afirmou a presidente, emocionada.

Comunicado. A presidente Dilma divulgou uma nota ontem à noite manifestando pesar pela morte de Chávez: "As transformações econômicas, sociais e políticas que Chávez conduziu, nos últimos 14 anos, na Venezuela, fizeram desse grande líder a mais importante referência da história daquele país e o projetaram em toda a América Latina e Caribe. Hugo Chávez contribuiu para o fortalecimento do nosso continente, sendo responsável pela constituição da Unasul e da Celac. O governo e o povo brasileiros perdem um grande amigo, cuja coragem, generosidade e calor humano irmanaram Venezuela e Brasil como nunca antes em nossas histórias. Hugo Chávez viverá na memória de venezuelanos, brasileiros e latino-americanos e será uma eterna referência para toda a América Latina."

Ontem à noite, o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, tentava falar com Elías Jaua, para dar-lhe os pêsames e também obter confirmações sobre o dia do enterro e o horário.

No Itamaraty, durante a tarde já se esperava algum tipo de desfecho para a situação do presidente venezuelano pelas movimentações da alta cúpula do governo em Caracas, como a reunião convocada às pressas no Palácio Miraflores e a expulsão de diplomatas americanos.

Diplomatas brasileiros monitoravam a Telesur, televisão estatal da Venezuela, quando começou o pronunciamento de Maduro. Logo em seguida, o embaixador brasileiro em Caracas, José Antônio Marcondes de Carvalho, telefonou para Patriota e o chanceler também telefonou para o embaixador venezuelano em Brasília, Maximilien Sanchéz de Arvelaiz, que estava no Brasil.

Patriota divulgou uma nota de pêsames aos parentes de Chávez e ao povo venezuelano na qual exalta a aproximação "sem precedentes" com o Brasil liderada pelo presidente venezuelano.

"O Presidente Chávez será lembrado como o líder venezuelano que maiores vínculos teve com o Brasil e maior contribuição deu aos esforços de integração regional", disse o chanceler brasileiro em nota.

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