Peres critica Sharon e diz que Arafat ainda é importante

"Algumas operações militares levadas a cabo por Ariel Sharon nos territórios (ocupados) me provocam calafrios", confessou o ministro das Relações Exteriores israelense, Shimon Peres, em uma entrevista publicada hoje pelo jornal Yediot Ahronot. "Se as execuções seletivas (de supostos líderes militantes palestinos) continuarem, não estará distante o dia em que seremos classificados por organismos internacionais como criminosos de guerra", afirmou. Contrariamente à opinião de seu próprio governo, Peres não considera que o presidente palestino, Yasser Arafat, tenha finalizado seu papel histórico no processo de paz e que agora seja "irrelevante" para Israel, como afirmou Sharon esta semana.Na entrevista, Peres revelou ainda que durante a última reunião de gabinete, um ministro do Shas (partido ultra-ortodoxo), que ele não revelou o nome, propôs "apagar a cidade de Nablus (habitada por 120.000 palestinos) da face da Terra". Apesar dos "calafrios" e de uma crescente pressão por parte de membros moderados de seu Partido Trabalhista, Peres disse ao jornal estar disposto a permanecer no governo. "Mais de uma vez presenciei situações consideradas perdidas, talvez como a situação que enfrentamos hoje, mas num momento adiante, uma solução aparece. É por isso que ficarei com Sharon", justificou.

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