Peretz anuncia plano para resolver impasse com palestinos

O ministro da Defesa de Israel e líder do partido trabalhista, Amir Peretz, divulgou nesta segunda-feira uma nova iniciativa para resolver o conflito entre israelenses e palestinos, que propõe negociar um estatuto definitivo de paz em seis meses. Peretz, que tem sofrido pressões do governo e do próprio partido, apresentou a iniciativa - dividida em três fases - diante dos representantes de sua facção parlamentar, informou a rádio do Exército israelense.Entre as propostas, estão a formulação de uma nova política no plano da segurança e da economia, negociações com os palestinos sobre os princípios de um estatuto definitivo de paz e a expansão da soberania do povo palestino. Todos estes passos começariam a ser implementados nos próximos seis meses.Finalmente, a iniciativa defende a negociação direta entre as partes sobre os detalhes finais de um acordo de paz, quer seria proposto em dois anos.O plano, que foi qualificado pelo próprio Peretz de "novo Mapa do Caminho" - em uma referência à iniciativa Mapa do Caminho, proposta por Estados Unidos, União Européia, Rússia e ONU - também foi referendado pelo vice-ministro da Defesa e colega de partido, Ephraim Sneh. Proposto em 2003, o Mapa do Caminho (Road Map, em inglês) nunca foi implementado.Em nota, o ministro disse, entretanto, que só negociará com palestinos moderados, como o presidente Mahmoud Abbas. Segundo Peretz, o plano fortalecerá essas lideranças, pois oferece uma "opção diplomática".SemelhançasO plano do líder trabalhista conta com três estágios. Assim como uma estratégia divulgada na semana passada pela ministra do Exterior israelense, Tzipi Livni, o Mapa do Caminho de Peretz contorna, no primeiro estágio, os aspectos mais complexos das negociações, movendo-se rapidamente para uma segunda fase. Na terceira etapa, um acordo de paz definitivo seria discutido. No Mapa do Caminho original, o presidente americano, George W. Bush, propunha o desmantelamento de todos os grupos violentos pelos palestinos, enquanto Israel deveria retirar dezenas de assentamentos ilegais na Cisjordânia. O plano não funcionou porque ambas recomendações não foram atendidas, impedindo que o processo de paz continuasse. Já o plano apresentado pelo ministro israelense não faz essas exigências, pedindo apenas que em seis meses uma "nova realidade de segurança e econômica seja criada e estabilizada". O segundo passo seriam seis meses de negociações sobre os princípios de um tratado de paz, paralelamente à concessão de soberania aos palestinos em grandes trechos de terra na Cisjordânia. No estágio final, Peretz prevê 18 meses de negociações sobre um tratado de paz definitivo.Ministros na berlindaO Peretz e Livni estão buscando posição em seus partidos. Peretz, cuja popularidade despencou em conseqüência de guerra não terminada de Israel contra a guerrilha do Hezbollah em Líbano, em agosto de 2006, terá grandes desafios nas próximas eleições primárias de seu partido, em maio deste ano.No domingo, o ex-primeiro-ministro israelense Ehud Barak, anunciou que era contra a nova política de trabalho de Peretz, mas desmentiu que o demitiria.Livni distancia-se do líder do seu partido, o primeiro-ministro Ehud Olmert, que também perdeu apoio considerável devido à guerra do Líbano. A apresentação do plano de paz é vista como parte de suas campanhas em busca de cargos superiores no partido.

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