Peretz exige que Olmert esclareça sua política para palestinos

O líder trabalhista e ministro da Defesade Israel, Amir Peretz, exigirá nesta terça-feira que o chefe do Governo, EhudOlmert, defina sua política para os palestinos após a suspensão dosplanos para uma retirada unilateral da Cisjordânia. Peretz deve fazer sua reivindicação nesta terça-feira em uma reunião urgentedo Gabinete Nacional, informaram fontes ligadas ao ministro eex-líder da Confederação de Trabalhadores (Histadrut). O ministro, cujo partido integra a atual coalizão de Governo,manifestou sua reivindicação depois de o primeiro-ministro teranunciado na segunda-feira no Parlamento (Knesset) sua renúncia àintenção de se retirar unilateralmente do território ocupado daCisjordânia, alegando que "não é o mais indicado" neste momento. Olmert anunciou sua decisão ontem na Comissão Parlamentar paraExteriores e Defesa, embora tenha reconhecido que, depois da guerracom o Hezbollah no Líbano, "o problema mais urgente do Governo ésolucionar a questão palestina". Essa opinião é compartilhada por Peretz e pela ministra deRelações Exteriores, Tzipi Livni, que viajará na semana que vem aWashington para se reunir com a Secretária de Estado americana,Condoleezza Rice, com quem discutirá assuntos relacionados com oLíbano e, segundo fontes políticas, deve "preparar uma reunião"entre Olmert e o presidente George W.Bush, ainda sem data. O chefe do Governo, que está no poder desde maio deste ano, tinhaanunciado uma retirada unilateral com o objetivo de "fixar asfronteiras definitivas" do Estado israelense com os palestinos, casofracassassem os esforços da comunidade internacional para obter umasolução negociada. O plano "da convergência" despertou reações indignadas dopresidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas,que exige a retirada israelense de toda a Cisjordânia paraestabelecer em Gaza e em Jerusalém Oriental seu Estado independente. Uma retirada unilateral, assim como a que ocorreu no ano passadoem Gaza, implicaria na anexação de parte da Cisjordânia, sob asoberania israelense, pelo Estado palestino. No entanto, a suspensão do "plano de convergência" não representauma negativa em negociar a retirada com Abbas segundo o plano de pazdo Quarteto de Madri - formado por Estados Unidos, União Européia(UE), Rússia e a ONU -, como afirmou Olmert ao assumir o Governo. No entanto, depois de passar mais de três anos nos círculosdiplomáticos, o plano de paz, um guia com obrigações para as duaspartes que prevê a criação de um Estado palestino, nunca chegou aprosperar. O ministro do Interior de Israel, Roni Baron, um dos maispróximos ao chefe do Governo, afirmou esta manhã que o plano parauma retirada unilateral ou negociada "não está morto". Segundo Baron, israelenses e palestinos "não foram feitos paraviverem no mesmo lugar; é preciso separá-los, mas, neste momento, éimpossível fazê-lo de forma unilateral". Quanto ao futuro das negociações com o presidente Abbas, "haveráconversas, mas segundo as nossas exigências". "Não vamos negociar com aqueles cuja bandeira clama nossadestruição", acrescentou Baron, em alusão ao Movimento deResistência Islâmica (Hamas), a cargo do Governo da ANP. Abbas, líder do movimento nacionalista Fatah de oposição aoHamas, está disposto a negociar com Israel e na segunda-feirainiciou uma viagem pelo mundo árabe para tentar relançar o processode paz. Os 22 ministros de Relações Exteriores árabes devem se reunir naquarta-feira no Cairo para lançar uma nova versão do plano de pazcom Israel proposto pela Arábia Saudita na cúpula de Beirute, em2002, e rejeitada na época por Israel. A versão atual da proposta saudita propõe a convocação de umanova "Conferência de Madri", como a realizada em 1991 paraestabelecer os princípios básicos que regerão as negociações de paz,segundo antecipa nesta terça-feira o jornal israelense Yedioth Ahronoth. A publicação afirma que, após a Conferência, se iniciarão asnegociações entre Israel, palestinos, libaneses e sírios.

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