Pérez aponta "crise irreversível" na Venezuela

O ex-presidente da Venezuela Carlos Andrés Pérez afirmou hoje que o movimento que pretende parar o país amanhã durante 12 horas, em protesto contra Hugo Chávez, marcará o início de uma "crise irreversível" no governo, o que acabará levando à saída do presidente. Da República Dominicana, Pérez deu entrevista ao canal de notícias Globovision, para explicar declarações publicadas na imprensa dominicana de que estaria pronto a liderar um possível governo de transição depois da saída de Chávez. "Fui questionado se aceitaria assumir uma frente de transição. Eu disse que aceitaria, mas que não tenho nenhuma aspiração para voltar à vida política na Venezuela", afirmou. Foi contra o governo Andrés Pérez que, em 1992, o então tenente-coronel do Exército venezuelano Hugo Chávez tentou um golpe. Frustrada a operação, Chávez foi preso, mas não desistiu de chegar ao poder. Em 1998, foi eleito com quase 60% dos votos. Depois de passar alguns meses em prisão domiciliar sob acusação de corrupção, já no governo Chávez, Carlos Andrés Pérez deixou a Venezuela e tornou-se um dos maiores críticos do atual presidente. Hoje, Pérez disse que o Paro Cívico é um "ponto de encontro de diversos setores em repúdio às arbitrariedades do governo." Em 1999, o ex-presidente declarou que o governo Chávez duraria mais dois anos. "Não me atrevo a fazer uma previsão de quando a crise desaparecerá", disse hoje Andrés Pérez. O ex-presidente manifestou enorme preocupação com o destino do país depois do Paro Cívico. Na entrevista que deu ao jornal dominicano Listin Diario, Pérez disse que a insatisfação com Chávez atinge toda a população, inclusive os militares. O ex-presidente disse que a Venezuela chegou à conclusão de que não há diálogo possível com o governo. Hugo Chávez reagiu à entrevista de Pérez publicando anúncio de quase uma página nos jornais de Caracas, com a reprodução da primeira página do Listin Diario, com a manchete "Pérez se prepara para substituir Chávez". "Esta é a verdade do Paro. Vocês querem que eles voltem?", pergunta a propaganda governamental. E completa: "Ninguém pára a Venezuela."

Agencia Estado,

09 de dezembro de 2001 | 13h57

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