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Perfil: Abu Bakr al-Baghdadi, o enigmático 'califa' do Estado Islâmico

Iraquiano à frente do grupo terrorista é um personagem misterioso; em seus discursos, sempre prefere falar de seu autoproclamado califado e de seus inimigos, não de si mesmo

O Estado de S.Paulo

01 de março de 2017 | 11h30
Atualizado 11 de julho de 2017 | 13h22

O iraquiano Abu Bakr al-Baghdadi, proclamado em 2014 "califa" de todos os muçulmanos pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), é um personagem enigmático, que prefere permanecer na sombra. Nesta terça-feira, 11, o grupo Observatório Sírio para os Direitos Humanos afirmou que ele foi morto, mas não sabe precisar quanto e em que situação.  Se a morte for confirmada, essa seria uma grande perda para o EI.

Nascido em 1971 em Samarra, ao norte de Bagdá, Baghdadi, por cuja captura o governo dos Estados Unidos oferecia US$ 25 milhões, ele é dos homens mais procurados do planeta.

Apesar do grande aparato de propaganda do EI, que divulga uma grande quantidade de fotos ou vídeos de suas ofensivas e atrocidades, Baghdadi não aparece muito. "É bastante notável que o líder do grupo terrorista que mais se preocupa com sua imagem seja tão discreto", afirmou em 2015 Patrick Skinner, analista da consultoria de inteligência Soufan Group.

Em dois anos, o "califa Ibrahim" apareceu em apenas um vídeo, gravado em uma mesquita de Mossul e divulgado em julho de 2014. Ele estava com barba grisalha, turbante e roupas escuras.

Na gravação, ele aparece ordenando a todos os muçulmanos que o obedeçam, pouco depois de a organização ter proclamado o "califado" nos territórios sob seu controle na Síria e Iraque.

No fim de 2016, um site de propaganda jihadista divulgou uma mensagem de áudio em que um homem identificado como Baghdadi pede a suas tropas que resistam ao avanço do Exército iraquiano em Mossul. Sua última declaração pública foi em dezembro de 2015.

Mistério

"Existe um elemento de mistério que vem do fato de ter sobrevivido a várias tentativas de fazê-lo desaparecer", disse Aymenn al-Tamimi, analista do Middle East Forum.

Segundo um documento do serviço secreto iraquiano, Baghdadi é doutorado em Estudos Islâmicos e foi professor na Universidade de Tikrit. Ele teve quatro filhos com a primeira mulher, entre 2000 e 2008, e mais quatro com a segunda.

Em uma entrevista ao jornal sueco Expressen, em março de 2016, Saja Al-Dulaimi, que foi sua mulher durante três meses, o descreveu como "um pai de família normal", professor universitário, admirado pelas crianças.

Baghdadi se uniu à insurreição no Iraque pouco depois da invasão das tropas dos EUA em 2003 e teria sido preso em um campo de detenção americano. Apesar das forças americanas terem anunciado em 2005 a morte de Abu Dua - um de seus codinomes -, ele reapareceu em 2010 à frente do Estado Islâmico no Iraque, braço iraquiano da Al-Qaeda.

Alguns anos depois, ele conseguiu transformar o grupo na mais potente, rica e brutal organização extremista do mundo, com presença na Síria em 2013 e no Iraque em 2014. Na época, Baghdadi já havia se desvinculado da Al-Qaeda ao rejeitar as ordens de seu líder, Ayman al-Zawahiri, de concentrar-se no Iraque e deixar a Síria para a Frente Al-Nusra.

Islã

Sua trajetória é diferente do caminho traçado por Osama bin Laden, que desenvolveu a Al-Qaeda graças a sua fortuna e já era conhecido internacionalmente muito antes dos ataques de 11 de setembro de 2001, especialmente pelos muitos vídeos em que aparecia.

"Sua ascensão à fama não pode ser comparada com a de outros líderes terroristas mais famosos. Bin Laden era conhecido por seu nome", afirmou Skinner. "Baghdadi evita ser o centro das atenções e, em seus discursos, fala sobre seu califado e seus inimigos, não de si mesmo", completa o analisa do Soufan Group. / AFP

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