EFE/ Clemens Bilan
EFE/ Clemens Bilan

Perfil: Annegret, uma aposta de renovação dentro da continuidade da era Merkel

Atual secretária-geral da União Democrata-Cristã foi escolhida em congresso para liderar o partido nos próximos anos; ela defende a essência conservadora da CDU em contraponto aos que defendem uma guinada mais à direita

O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2018 | 16h46

BERLIM - Annegret Kramp-Karrenbauer, sucessora de Angela Merkel à frente da União Democrata-Cristã (CDU), chega ao cargo para defender o que ela chama de três raízes do partido - o conservador, o social-cristão e o liberal - sem abandnar o centro.

Sua eleição é uma aposta na renovação dentro da continuidade. Enquanto seus rivais na disputa pela presidência do partido, Jens Spahn e Friedrich Merz, eram vistos como críticos ativos de Merkel, Annegret é considerada a sucessora que a chanceler gostaria de ter.

Annegret Kramp-Karrenbauer tem um histórico ininterrupto de 18 anos ocupando cargos importantes. Foi ministra do Interior do Estado do Sarre antes de se tornar governadora, cargo que ocupou por seis anos. No início deste ano, foi eleita secretária-geral da CDU, garantindo 99% do apoio do partido.

Filha de um diretor de escola e de uma dona de casa, Annegret foi a quinta de seis crianças de uma família católica. Cresceu indo às missas dominicais. Viveu toda a sua vida em Völklingen, cidade de 20 mil habitantes no Estado do Sarre, oeste da Alemanha, na fronteira com a França.

Na adolescência, queria ser parteira ou professora secundária, mas ingressou na CDU aos 18 anos e passou a estudar ciências políticas e Direito. Se formou com louvor na Universidade do Sarre. Elegeu-se vereadora e conselheira de planejamento da CDU regional antes de se tornar a primeira mulher governadora da Alemanha, em 2000. 

“Não há nenhuma tarefa que você não possa confiar a Annegret”, disse o ex-governador do Sarre Peter Mueller, seu antecessor. Ela costuma dizer que não planejava ter uma carreira política, mas uma série de “coincidências” ajudaram-na a chegar onde está.

Quando seu nome começou a despontar, parte da imprensa da Alemanha a apresentou como a “princesa herdeira” do partido. Ela respondeu que “nunca gostou do papel de princesa”. 

Fã da banda de rock AC/DC, Annegret se orgulha de sua capacidade de fazer sopa de carne, descreve-se como “rato de biblioteca” e cultiva tartarugas de estimação. Ela fala inglês e francês. 

Merkel, por sua vez, evitou apoiá-la abertamente durante a disputa pela sucessão - ela disse que quando alguém tenta escolher seu sucessor ou sucessora as coisas tendem a dar errado -, mas não era exatamente segredo que a chanceler apoiava Annegret.

Para quem pede um giro mais à direita da CDU, AKK defende a essência conservadora do partido, sem que ninguém o arraste a extremos.

Sua rejeição ao casamento homossexual a aproxima dos conservadores, mas suas convicções na política econômica e social, assim como sua defesa do salário mínimo interprofissional no último mandato ou as cotas de mulheres para promover a igualdade nas empresas, o distanciam deles.

AKK, que também já foi chamada de "mini-Merkel", nasceu em Völklingen, no Sarre (oeste da Alemanha), há 55 anos e a maior parte de sua carreira política foi centrada neste Estado, onde ela comandou o governo de 2011 até fevereiro deste ano, quando assumiu o comando da CDU.

Casada há 33 anos com o engenheiro Helmut Karrenbauer e mãe de três filhos já adultos, sua biografia apresenta claras diferenças com a da atual chanceler, apesar das semelhanças na consução política.

Merkel é protestante apesar de ser filha de um pastor, enquanto que Annegret é católica praticante e pertence ao Comitê Central dos Católicos Alemães.

Merkel cresceu na extinta República Democrática da Alemanha (a Alemanha Oriental, socialista) e entrou tarde na política. AKK cresceu na velha República Federal da Alemanha, perto da fronteira com a França, e entrou no partido quando ainda era estudante.

Uma de suas prioridades será a renovação pragmática do partido. Ela cresceu em seu meio e isso dá confiança aos militantes mais tradicionais.

Entre 1985 e 1988, dirigiu as juventudes em Sarre enquanto estudava ciências políticas e direito público. Depois de concluir sua graduação, trabalhou como assessora do grupo parlamentar regional da CDU.

Sua primeira experiência na política nacional foi breve - entre março e outubro de 1998, foi deputada do Parlamento alemão para substituir um legislador que deixou sua cadeira - e em 1999 ela obteve uma cadeira no Parlamento regional em Sarre.

Em 2000, foi nomeada titular de Interior neste Estado, onde depois ocupou a pasta da Educação e, em 2001, foi eleita primeira-ministra regional à frente de uma coalizão tripartidária com os Verdes e o Partido Liberal (FDP).

Sua eleição não foi fácil e ela precisou de três votações no Parlamento, ao que respondeu com humor dizendo que, como mãe, sabia que dos partos difíceis saiam os filhos mais bonitos.

Em janeiro de 2012, Annegret anunciou que não continuaria com a coalizão por diferenças com os liberais e, contra todos os prognósticos, voltou a ganhar as eleições regionais antecipadas.

AKK continuou como chefe de governo no Estado em uma grande coalizão com o Partido Social-democrata (SPD), uma aliança que reeditou no ano passado depois de vencer novamente a votação no Estado, melhorando seus resultados. / EFE

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